RSC: Um protetor tem convênio com veterinários? Como fazem para pagar as contas de um animal resgatado?
NS: Uma pergunta importante essa. Não temos convênios com veterinários. No máximo, temos contato com médicos veterinários que chamamos de veterinários do bem, que também fazem a sua parte, até como parte do juramento que fizeram na faculdade, de ajudar, cobrando preços diferenciados. Mas nada é de graça. Muitos protetores acumulam dívidas, que são pagas em suaves prestações, também fruto de apoio desses veterinários do bem ao trabalho de resgate de um animal em situação de sofrimento nas ruas e vítima de maus-tratos. Para pagar as contas, protetores e até ongs promovem eventos, rifas e arrecadações junto aos amigos. Por isso, é importante que os adotantes se ofereçam para ajudar de alguma forma o protetor, ressarcindo algum custo que ele teve com o animal adotado. São custos com medicamentos, muitas vezes necessários, vacinação, castração, vermifugação e hospedagem desses animais até que sejam adotados.
RSC: Como o Bichos de Companhia faz para pagar as contas de seus resgatados?
NS: Prioritariamente, as contas de nossos afilhados são pagas com recursos próprios. Mas também buscamos apoio nessas alternativas, como rifas, leilões, eventos, doações para angariar recursos. Este ano, estamos muito felizes porque criamos um produto exclusivo do blog. Um Jogo da Memória com 100 peças. Sâo fotos dos vira-latas lindos que participaram do I Concurso Vira-Latas Mais Lindos da Cidade – 2015, promovido pelo Bichos de Companhia, em comemoração aos 10 anos do blog, em janeiro. Ficou lindo e é também um brinquedo educativo para crianças, além de muito divertido e útil também para adultos. Ao adquirir esse jogo, a pessoa vai ter a oportunidade de se divertir e ajudar. É importante ressaltar que a produção do jogo da memória só foi possível graças à parceria com a Senhorita Camaleão mais uma vez, tornando os custos bem mais em conta, possibilitando a impressão dos jogos em contraponto aos orçamentos surreais em gráficas.
RSC: Por que um jogo da memória? Alguma mensagem subliminar?
NS: Verdade, nada é por acaso nesta vida, não é mesmo? Sim, por trás da escolha do jogo da memória tem todo um conceito. Um jogo com fotos de vira-latas. E a palavra memória chamando aí para a reflexão, guardar os vira-latas no pensamento, sabe? Valorizar esse cão tão cercado de preconceitos tolos.
A gente que gosta de bicho, gosta deles e não de marcas. E também tem aquela coisa de resgatar jogos para se jogar em grupo, em volta de uma mesa, conversando e se divertindo. O jogo é recomendado para crianças a partir de quatro anos e não tem limite máximo de idade.
RSC: E por que um produto voltado para o dono do animal e não para o animal?
NS: Além de sair do lugar comum, de lançar bolinhas, ossinhos, e ficar tudo igual, o grande lance foi poder trabalhar a conscientização. Temos o lúdico como pano de fundo. Tem-se adultos e crianças à volta desses vira-latas, percebendo que são animais normais como qualquer outro de raça. São vidas. Uma pessoa já comprou o jogo para usá-lo na alfabetização. Isso é bárbaro. A criança vai ser alfabetizada e ainda receberá lições importantes de conscientização e respeito à vida.
RSC: O blog tem projetos para novos produtos?
NS: Com certeza, quanto mais diversificação melhor. Seja para se trabalhar a conscientização seja para o principal que é angariar recursos para cobrir as despesas dos resgates até o encaminhamento à adoção. A sensibilidade é um pré-requisito para ser criativo e gerar oportunidades de aumentar o leque de opções para propiciar a solidariedade.
um por todos...
Pepê Nadia Flor