O cotidiano dos morros e periferias transformados em poesia da necessidade. Aquela em que o individuo ou seu coletivo expõe os fatos que ocorrem em seu mundo, muito das vezes invisível. A Cultura Popular é a expressão dessas culturas cultivadas no seio do povo, caraterística de necessidade que uma nação tem em demonstrar suas coisas, de se apoderar de sua história, estourar as represas e delinear seu próprio curso, hora transbordando, hora alterando seu leito, até que consiga chega ao mar e viajar pelas correntezas. Pelo caminho estas bandeiras deixam seu legado, por uma floresta ainda por desbravar. Neste contexto está inserida a cultura do Samba, e a nossa identidade cultural.
Carlitos, um mendigo com classe, um bêbado sóbrio. João Bosco queria homenagear Charles Chaplin morto um ano antes. Compôs a harmonia propositadamente com passagens melódicas parecidas com “Smile” de composição de Chaplin para o filme “Tempos Modernos”. Entregou a Aldir Blanc para que escrevesse a letra. A gravação excepcional de Elis Regina transforma o Samba em grande sucesso rapidamente e também passa a ser conhecida como Hino a Anistia. A repercussão foi tão grande, a ponto que o público que acompanhava os comícios em prol da Anistia aumentou de 500 para mais de 5.000 pessoas.
O Bêbado e a Equilibrista
Um Viaduto para a Anistia
10 Revista Samba Acadêmico Setembro 2016 09