Samba Acadêmico Setembro 2016 | Page 9

Foto Tércio Teixeira

“Todavia, na década de quarenta alguns pensadores latino-americanos iniciaram o questionamento da latinidade do continente. América Latina existe, essa é a resposta de Luis Alberto Sánchez (Livro “Existe América Latina?”), mas essa existência é ambígua porque ela está fundada em um elemento estranho à maioria da população, isto é, a latinidade. Por outro lado, a latinidade tem permitido à minoria branca pensar e até sentir que a América é europeia, e que os indígenas, negros e mestiços sofreram um processo de branqueamento”. (Bruit, 1998)

A expressão “América Latina” está completamente associada ao conceito de subdesenvolvimento surgido a partir da segunda metade do séc. XX. Então, América Latina se configura como instabilidade política crônica, estrutura produtiva atrasada e até arcaica, com forte dependência dos recursos financeiros norte americanos, com grandes concentrações de terras em mãos de poucos, acentuado crescimento demográfico. Estes conceitos formados no séc XX é que proporcionou subsídios para a ideia do nome América Latina, não o tornando puramente semântico, mas sim, que envolve realidades e histórias concretas e específicas que pertencem ao séc. XX.

SOFREM DO MESMO MAL IMPOSTO

Vemos, então, que o termo América Latina, tem muito mais a haver com um sentido de se criar uma nomenclatura periférica, ao invés de representar verdadeiramente os países deste bloco, no sentido de se passar a ideia de que todos os povos ali existentes sofrem do mesmo mal, contingente ao mesmo problema único decorrente da latinidade, e desta forma reforça apenas uma posição no mínimo preconceituosa. Esta nomenclatura, da forma como é abordada, não vale para um conceito único destes países, nem com relação as suas origens culturais, nem tampouco quanto ao papel de inferioridade que o termo venha a produzir. Necessário então, se faz o conhecimento da nossa história, como país e como integrante deste bloco continental, para que possamos desfazer este mito criado. É condição primordial para o exercício de uma democracia a educação, a distribuição do conhecimento para todos, com a preservação de suas identidades culturais e suas relações com demais culturas, sem distinção de raça, credo, cor de sua pele ou de seu poder econômico.

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