RPL - Revista Portuguesa sobre o Luto 5 | Page 51

poucos, mas intensos, pouquíssimas pessoas sabiam, tinha tanto medo que aquele outro bebê morresse como a irmã, meus sentimentos eram tão sombrios que me assustavam, me deixavam sem ar, sem vontade de viver e esse medo foi sentido por toda a família, que antes feliz e extasiada agora estavam temerosos e apreensivos com um possível fim trágico.

Meu maior medo era a ultrassonografia silenciosa, sem movimentos, sem pulsar, o medo era tanto que me causava dores de cabeça e na barriga. As semanas iam passando e os laços com aquele pequeno ser humano iam se estreitando, sua vinda era tão valiosa... Quando de repente o medo estava brando as más notícias começavam a chegar, ultrassonografias movimentadas e com "Tuntum" do coração, mas malformações, fatores de riscos foram surgindo e o medo tomou conta novamente e passei a viver intensamente, aproveitando cada segundo, o medo de amanhã não tê-lo mais me dominava, as semanas passavam lentamente, exames infinitos, pessimismo vindo dos médicos, palavras contrárias à vida, até que um dia em uma consulta eu recebi um pedido de exame, exame esse que pedia estudo de produto de perda gestacional, o médico me aconselhou não tirar da bolsa esse pedido de exame, mas meu filho estava vivo ainda, aquilo me chocou, tomou conta do meu ser, andar com aquele pedido de exame era como andar com uma espécie de certidão de óbito do meu

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