bebê, que estava vivo ainda, o pessimismo tomou conta e o medo se instaurou no meu coração e no coração do meu marido.
Isso nos fez viver mais intensamente qualquer acontecimento relacionado ao nosso bebê, o primeiro chute foi curtido como se fosse o último, as ultras eram filmadas com medo de serem as últimas, ir ao mercado era proibido para evitar intercorrências, pegar nossa filha mais nova no colo era improvável. Tudo isso por culpa do medo, medo da falta de vida. Medo de outro luto, medo, medo e mais medo.
Hoje estou com 23+2 SEMANAS de gestação, a cada dia a mais é um dia a menos nessa caminhada de amor, luto, vida e medo, a chegada do Heitor é cada vez mais real e a cada batalha vencida é um peso a menos em nossos corações, e isso nos dá forças para não desistir.
Mas uma coisa eu aprendi: é que mesmo o Heitor chegando o vazio que a Chiara deixou será eterno e nunca será preenchido, aprendi na prática que um filho não substitui o outro e que o luto é uma montanha russa de sentimentos, a vida continua sendo frágil, mas só de poder viver cada momento é uma dádiva.
"A estrela é um corpo físico que vemos diariamente, apreciamos no céu, é natural, real, mas não podemos tocá-la. O mesmo acontece com o bebê que começamos a esperar, que ilumina nossa vida e
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