Quando olhava para minha barriga, mesmo que nada houvesse crescido aparentemente, tinha o instinto de proteger meu filho daquele sofrimento, que hoje sei, pensaria que era culpa dele. Durante toda a gestação, busquei me ocupar, não pensar, não lembrar, para que o meu menino não sentisse aquela dor comigo, mesmo nos exames, ecocardio fetal, exames de pré natal, buscava não deixar o medo tomar conta de mim.
Refleti muito sobre a vida, nós, minha família, somos seis irmãs, uma completamente diferente das outras, mesmo sendo do mesmo pai e mesma mãe. Foi isso que me deu o estalo, o Helano, não teria a mesma história de Helena. Na prática é um pouco mais difícil. Durante muitos banhos que tomei, com a barriga já crescida, enquanto a acariciava chorando por medo, por dor, por saudade, pedi desculpas ao meu filho, por ele vir em meio a tudo isso. Disse que por mais que eu tentasse, não conseguia segurar e as vezes as lágrimas tomavam conta de mim.
Quando o Helano nasceu o entorpecimento era ainda tão presente que não tive medo, somente aproveitei para beija-lo, olha-lo. Quando retornamos para casa, olhando meu filhinho em meus braços, dormindo com a boquinha aberta, lembrei de Helena na última vez que peguei ela no colo, já sem vida, com a boquinha aberta. Fui tomada por um sentimento de pânico, e vi que não poderia mais ficar em casa com ele. Pegamos
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