RPL - Revista Portuguesa sobre o Luto 2 | Page 39

vivem. Eu não as culpo.

Eu também precisava estar sozinha. Como um animal ferido,precisava me isolar, lamber as feridas, chorar minha enorme perda. Tomei algumas decisões naquela primeira semana, uma delas foi mudar de casa, de bairro. Não sei se foi certo, mas precisava sair dali, morar próximo de meus pais, minhas irmãs.

Passei a negligenciar meu marido e meu filho, por mais que os amasse, eu só queria ter a Carol de volta, me isolar e viver das lembranças da Carol. Por maior que fosse o conforto de Deus, eu só queria ir para junto dela. Não havia sentido em continuar vivendo.

Levar o Lucas no colégio foi muito doloroso, eu não queria ver aquelas adolescentes, porque elas estavam aqui e a Carol não? Porque as pessoas seguiam com suas vidas como se nada tivesse mudado? Como se atreviam a me falar que eu deveria esquecer, que a vida continua. Eu odiava essa frase, A VIDA CONTINUA. Para mim não continuou, eu tive que reaprender a viver. E agora que faço eu da vida sem a Carol? Sem sua alegria seus planos. Como viver sem meu mundo cor-de-rosa?

Por muito tempo eu fui uma pessoa especial, eu era a mãe da Carol, uma menina linda, alegre, brincalhona, zangada também. A Carol sempre foi minha melhor amiga, minha confidente, tínhamos uma relação de muita confiança, era meu grude. Fazíamos tudo juntas, caminhada, shopping, cinema. Era a prima preferida de todos, a sobrinha preferida, a mais linda da família.

Eu me perguntava muito porquê ela, Senhor? Porquê minha linda filhinha, porque não a curou, porque eu precisei passar por tamanha dor? Não obtive respostas, mas o consolo, a paz nas

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