Encaramos uma sociedade que não é preparada para o luto e com isso, acaba sendo também uma sociedade que tem dificuldade em ajudar o enlutado. Quem não se questionou em algum momento da vida sobre: "Poxa, queria tanto ajudar mas não sei como e nem por onde começar". Demonstre através de um abraço, de um simples "olha, eu estou aqui com você", isso já faz toda a diferença para quem está passando por esse processo.
Na perda gestacional ou neonatal, encaramos um luto não reconhecido onde frases como: "Calma, já já você terá outro bebê" são ditas com a intenção de ajudar mas, que na verdade conseguem trazer ainda mais sofrimento para quem está passando por esta perda. Simplesmente porque ninguém substitui ninguém! Ouvimos também a comparação com a dor, não importa qual seja, dor é dor! Não existe dor maior e dor menor, cada um convive com a sua dor. Os pais que passam pela perda gestacional ou neonatal passam pela dor da perda de um filho desejado, amado e esperado. Costumo dizer que uma gestação começa muito antes da sua conceção, ela começa no planejamento de uma gravidez, no sonho em que muitas vezes a mulher e o homem já carregam antes mesmo de estabelecer uma relação, e que quando se veem grávidos já idealizam um bebê, o quarto, o enxoval, os mínimos detalhes em que são desconstruídos quando se deparam com a perda. O luto na perda gestacional ou neonatal precisa ser reconhecido, e respeitado.
Juliana Gregório, 24 anos
Psicóloga Clínica
Rio de Janeiro (Brasil)
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