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Mandam a gente procurar um psicólogo para não entrar numa depressão.
Eu não preciso de psicólogos! Preciso de amor, de carinho e de atenção. Mas como ficamos para baixo, as pessoas também se afastam. Pois é ruim de mais ficar perto de alguém baixo astral… Na verdade, eu, meu marido, meu filho e minha mãe Neide, somos os únicos enlutados. Avó sofre em dobro porque perde a neta e se imagina no lugar da filha.
Sofro diariamente quando acordo e sinto o vazio em mim. Acredito que só voltarei a ter alegria quando engravidar de novo. Nenhum outro filho vai ocupar o lugar da minha Lorena, mas vai ocupar meu colo e vai trazer alegria para o meu lar.
Sabe desde do início antes de eu descobrir minha gravidez, eu sonhava com ela. E ela nasceu igualzinha eu sonhava. Meus sonhos com ela acabaram aos 8 meses de gestação. Quando tive dois sonhos. Sonhei o mesmo sonho duas vezes. Sonhei que entrava no hospital para ganhar bebê com muitas dores. E depois saia do hospital sozinha sem bebê nos braços. Depois desse sonho eu nunca mais sonhei com ela.
Ninguém nunca mais foi no cemitério desde o dia do enterro dela. Ninguém! Eu vou todo domingo. E tem vez que vou no meio da semana também. Quando não estou bem vou para lá. Lá eu me sinto bem. Me sinto perto dela.
Meu marido é um homem muito forte. Durante o velório, todos sentados e ele em pé na frente do caixão durante duas horas seguidas, sem piscar. Sem falar nada. Sem se mexer. Apenas olhando fixamente nossa filha tão pequena no caixão. Gravando em sua memória aquela menina tão linda, que parecia estar dormindo. E não morta.
Durante meu desespero em casa, ele sempre se manteve firme, me ajudando, me mostrando sua força. Eu, por várias vezes,