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cheguei a questionar se ele não estava sofrendo, se ele não se importava com a nossa filha. Pois ele não demonstrava fraqueza perto de mim. Eu acredito que se os dois desabassem não teria como se levantar. E ainda tinha nosso filho pequeno pra cuidar.
Eu o admiro demais! Na noite da notícia que ela havia partido, ele nunca chorou na minha frente. Ele não conseguiu ficar perto de mim. Ficou a noite inteira na capela que tem dentro do hospital. Só veio até mim às 6 da manhã quando eu liguei. Ele veio com os olhos inchados, pois havia passado a noite toda chorando e clamando a Deus para não levar nossa pequena. Mas perto de mim já mudou seu semblante de sofrimento para uma postura de força.
Tem dias que acordo querendo morrer… Tem dias que acordo querendo viver… E nesse dilema louco da minha vida, sempre tem algo para aprender. Que nada se vai dessa vida, sem que antes nos ensine algo que precisamos aprender. Que a vida é curta por demais e temos que amar uns aos outros antes que o tempo passe e aí só nos resta o arrependimento.
A solidão chega carregada de lembranças, rancor, tristeza. Às vezes, até tentamos sair dessa solidão. Mas quando se começa a tocar no assunto, as pessoas falam que tem que se conformar. Que não adianta ficar falando a vida inteira. Cara, a vida inteira?? Tem 2 meses que perdi minha filha!! Ah você nem conviveu com ela, não tem motivos para tanto drama. Daí penso quem não conviveu com ela foram essas pessoas. Pois eu convivi 8 meses com ela. 8 lindos meses. Sentindo ela. Amando ela. Esperando ela.
Valquíria Meira Rocha, 26 anos
Sinop Mato Grosso (Brasil)