RPL - Revista Portuguesa sobre o Luto 2 | Seite 25

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colocaram ela em cima de mim. Mais era mais um uivo de dor… de tristeza, pois nenhuma lágrima caia do meu olho. Eu não tinha mais lagrimas para chorar.

Ela nasceu perfeita!... A enfermeira queria levar ela de mim. La para a sala que fica os corpos. Ela peladinha só enrolada num lençol. Pedi para médica que eu queria que colocassem a roupinha que eu havia levado. Queria ver ela com roupinha e tirar foto para ter lembrança sem ser no caixão.

A médica com os olhos cheios de lagrimas me abraçou, deu seus sentimentos pois havia perdido uma filha da mesma forma e falou para a enfermeira fazer o que eu queria. Colocaram a roupa e levaram ela para mim, no quarto. Fiquei uns 3 minutos com ela…

Quando a levaram, levaram minha alma junto com minha filha! Morreu minha alegria!... Eu não tinha mais lagrimas para chorar, parece que haviam secado de tanto que eu havia chorado.

No final da tarde vim para casa. Não tem explicação a sensação de sair do hospital sem o bebê nos braços. Chegar em casa ver as coisinhas dela: o berço ao lado da minha cama. Foi torturante. Muitos diziam para eu sair e viajar. Dar um tempo. Mas eu quis ficar aqui. Encarar tudo de frente. Não quis fugir porque eu teria que voltar e teria que encarar de uma forma ou de outra.

O berço ainda continua ao lado da minha cama. Parece que assim não me sinto tão sozinha. Não consegui me desfazer ainda. Cinco dias depois eu abri o guarda-roupa. Comecei a me desfazer das coisinhas dela. Fiquei apenas com uma mala e algumas roupinhas dentro. Esse dia foi muito difícil. Fiz uso de calmante para dormir. Mas depois de uma semana meu marido jogou fora os remédios com medo de eu viciar.

Me culpei demais. Ainda me culpo... Pois eu era a mãe dela e eu