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A Dor da Solidão
Me chamo Valquíria e sou casada com Claudiomar. Tenho um filho de 4 anos chamado Cayo e minha anjinha, Ágatha Lorena.
Minha gravidez foi bem tranquila, no sentido de problemas relacionado à gestação. Mas chorei muito, me sentia muito triste, muito sozinha. Sentia que ninguém estava feliz com minha gravidez.
Fiz uma ultrassom com 31 semanas e ela estava atravessada, com 2 voltas do cordão no pescoço. Os médicos falaram que não havia problema. Quando completei 36 semanas senti que ela havia parado de mexer. Fui no médico que ouviu o coração mas pediu uma ultrassom, que fiz no dia seguinte. Mostrei para a médica plantonista do posto, que mandou me internar no hospital: na ultra constava que não havia movimentos. Apenas batimentos.
Fui internada numa quinta-feira de manhã. O médico chegou de tarde, olhou a ultrassom, ouviu os batimentos, disse que estava tudo bem. E me mandou para casa, que a neném só estava preguiçosa.
Quando foi no dia seguinte, voltei no posto. Não conseguiram ouvir os batimentos. Me internaram no hospital. Não tinha mais batimentos... Ela estava em óbito.
Foi o pior dia da minha vida. Passei a sexta-feira à noite no hospital com essa notícia – ela estava morta dentro de mim… O sábado dia todo... Induziram meu parto às 5 da tarde e ganhei ela as 11.40 da noite. Na hora do parto vem um turbilhão de sentimentos: alegria por então conhece-la e tristeza por ela estar morta. A sensação de impotência e de vazio. A dor do parto. Tudo isso junto me paralisou quando vi minha filha. Eu chorei quando