Revista Wonder revista (4) | Page 55

Muitos homens tornam a palavra feminista algo pejora- tivo. Quando uma mulher se posiciona, quando ela questio- na, esse termo é usado para depreciá-la. Isso surge desse tabu, desse medo das pessoas falarem sobre isso. O movimento feminista, o orgulho feminista tem rein- ventado, permitindo que a mulher se reinvente e se coloque de maneira mais presente e intensa. Agora, vamos falar sobre o âmbito educacional. Na edu- cação primária, creches e primeiras séries. Quem está pre- sente, predominantemente, atuando aí? Como cuidadora, educadora de crianças até a quinta série? E que é quem está ocupando os cargos em grandes Universidades, Facul- dades? Parece que foi imposto que cuidar de crianças é algo para mulher, para que elas façam papel de mãe, de tia. E quem vai ter a figura do mestre, do professor, com os louros da sabedoria? O homem. Isso vem mudando. Mas no ensino primário ainda existe essa visão. Nos cursos de pedagogia, 90% da classe é de mulheres. Sobre o pedido de registro das mulheres, esse ano, foram 9.206 e mulheres que pediram para oficializar o man- dato. O número de homens foi 19.892. Esse aumento é ótimo, mas pelos dados que você apre- sentou, ainda apresenta um cenário predominantemente masculino. Mas temos que entender que processos históricos demo- ram. são algo sofrido, ainda mais algo que é milenar. A demo- cracia é um conceito antigo, do século V a.C., percebemos que é muito tempo. Re-Implantamos os conceitos, mas ainda existe exclusão, pois é algo trabalhoso. O engajamento maior, eu acredito, acontece por meio das manifestações, a organização. Se elas abaixarem a cabeça, se elas começarem a acei- tar o machismo, nós vamos ver retrocesso. Não podemos nos iludir, as coisas nem sempre caminham para frente. A Luta deve ser permanente, então aquilo que foi con- quistado com muito esforço, não pode ser revogado. É uma pena que ainda vejamos a discussão de gênero como um tabu, ainda, pois é um direito, é algo que passou da hora de ser retratado. Mas o machismo é algo que é transmitido; existem mulheres machistas, que são mais machistas do que muitos homens. É aquela mulher que se acostumou com um ambi- ente de cultura do homem do poder, então ela replica isso. Isso foi enraizado, pois em muitas casas se vê essa divi- são do papel da mulher e do homem. Provavelmente vocês já foram na casa de alguém que a coisas funcionavam da seguinte maneira: Almoço de domin- go, todo mundo reunido. Os homens terminam de servir, saem da mesa e vão para a sala “conversar assunto de homem”, e as mulheres ficam na cozinha lavando a louça, lim- pando a sujeira do almoço. E elas ficam lá, porque também existe o estigma de que mulheres não podem participar do assunto dos homens, pois “é um espaço deles”.