Muitos homens tornam a palavra feminista algo pejora-
tivo. Quando uma mulher se posiciona, quando ela questio-
na, esse termo é usado para depreciá-la. Isso surge desse
tabu, desse medo das pessoas falarem sobre isso.
O movimento feminista, o orgulho feminista tem rein-
ventado, permitindo que a mulher se reinvente e se coloque
de maneira mais presente e intensa.
Agora, vamos falar sobre o âmbito educacional. Na edu-
cação primária, creches e primeiras séries. Quem está pre-
sente, predominantemente, atuando aí? Como cuidadora,
educadora de crianças até a quinta série? E que é quem
está ocupando os cargos em grandes Universidades, Facul-
dades?
Parece que foi imposto que cuidar de crianças é algo
para mulher, para que elas façam papel de mãe, de tia. E
quem vai ter a figura do mestre, do professor, com os louros
da sabedoria? O homem. Isso vem mudando. Mas no ensino
primário ainda existe essa visão. Nos cursos de pedagogia,
90% da classe é de mulheres.
Sobre o pedido de registro das mulheres, esse ano,
foram 9.206 e mulheres que pediram para oficializar o man-
dato. O número de homens foi 19.892.
Esse aumento é ótimo, mas pelos dados que você apre-
sentou, ainda apresenta um cenário predominantemente
masculino.
Mas temos que entender que processos históricos demo-
ram. são algo sofrido, ainda mais algo que é milenar. A demo-
cracia é um conceito antigo, do século V a.C., percebemos
que é muito tempo. Re-Implantamos os conceitos, mas
ainda existe exclusão, pois é algo trabalhoso.
O engajamento maior, eu acredito, acontece por meio
das manifestações, a organização.
Se elas abaixarem a cabeça, se elas começarem a acei-
tar o machismo, nós vamos ver retrocesso. Não podemos
nos iludir, as coisas nem sempre caminham para frente.
A Luta deve ser permanente, então aquilo que foi con-
quistado com muito esforço, não pode ser revogado.
É uma pena que ainda vejamos a discussão de gênero
como um tabu, ainda, pois é um direito, é algo que passou da
hora de ser retratado.
Mas o machismo é algo que é transmitido; existem
mulheres machistas, que são mais machistas do que muitos
homens. É aquela mulher que se acostumou com um ambi-
ente de cultura do homem do poder, então ela replica isso.
Isso foi enraizado, pois em muitas casas se vê essa divi-
são do papel da mulher e do homem.
Provavelmente vocês já foram na casa de alguém que a
coisas funcionavam da seguinte maneira: Almoço de domin-
go, todo mundo reunido. Os homens terminam de servir,
saem da mesa e vão para a sala “conversar assunto de
homem”, e as mulheres ficam na cozinha lavando a louça, lim-
pando a sujeira do almoço. E elas ficam lá, porque também
existe o estigma de que mulheres não podem participar do
assunto dos homens, pois “é um espaço deles”.