Revista Wonder revista (4) | Page 54

Eu colocaria no Brasil, como um grande marco nessa questão, a eleição de Dilma Rousseff para presidente. Ela representa uma grande evolução na história do Brasil, entrando no maior cargo de uma democracia. Sua eleição em 2010 e sua reeleição em 2014 foram fatos históricos, independente do seu governo, se ela foi ou não uma boa gestora. Podemos ver essa trajetória como algo difícil, por ser muito recente, pelos movimentos que vem desde então buscando a libertação da imagem feminina. Ao longo de toda a história, a mulher sempre esteve oprimida. Ainda estamos aprendendo a repercussão desse empodera- mento, hoje em dia. Existem muitos grupos feministas, como o grupo femen, que sempre age até mesmo de uma forma bem chocante, radical. Ações quase invasivas, dentro de igre- jas tirando peças de roupas. Esse tipo de coisa choca a população. A sociedade é feita de conflitos violentos, sejam eles físicos ou simbólicos. Mas quando olhamos para esses con- flitos, temos que interpretá-los. É óbvio que ninguém apoia manifestações violentas. Num ambiente democrá- tico, temos que ter o entendimento de que todos preci- sam ter voz, mas também temos que repudiar atos de extremismo, pois eles sempre vão implicar em violência. Precisamos de voz, não violência. Voz de todos os grupos e movimentos. Agora: é o suficiente? A mulher já conseguiu o suficien- te para se sentir confortável na sociedade? Podemos separar isso em quatro partes: Papel da mulher dentro de casa, dentro da esfera econômica, den- tro do universo religioso (hoje em dia, algumas igrejas per- mitem que as mulheres preguem, subam do púlpito e falem da palavra de Deus. Outras não. Existem pastoras, bispas, porque existem instituições que querem quebrar o machismo no ambiente religioso), e claro, nosso quarto viés é a política. Só nas eleições de 2018, por exemplo, nós vimos mui- tas mulheres se destacando. A Manuella D´ávilla, uma grande representante da luta pelos direitos iguais, vice do Haddad. Tivemos a Marina Silva, que já é uma parla- mentar muito conhecida desde suas ligações com o movi- mento ambientalista, depois ela funda a REDE. Podemos pontuar a maneira como Marina do Rosário foi tratada, e isso gerou uma grande discussão, pelo can- didato( agora presidente eleito) Jair Bolsonaro, em que ele foi extremamente misógino com ela dizendo que ela não merecia ser estuprada porque ela não merecia. Até que ponto as mulheres no meio político conseguem suportar o machismo sobre elas, por exemplo, em Brasí- lia? O ambiente lá, todos sabem, é machista. Podemos fazer esse parâmetro de quantas mulheres foram elei- tas, de quantas mulheres estão lá e comparar esses dados com os dados referentes aos homens. Podemos comparar também a quantidade da popula- ção. Temos muito mais mulheres formando a sociedade do que homens, mas muito menos mulheres na política do que eles. Nós podemos reverter isso, através da conscientiza- ção, empoderando. Para que todos entendam que elas precisam estar lá para serem atendidas, mas também precisamos mudar esse cenário misógino. Da sociedade e da política. Para que elas ocupem a Câmara; elejam vereadoras, que lancem suas candidaturas, para que a gente também possa promover essa participação.