Eu colocaria no Brasil, como um grande marco nessa
questão, a eleição de Dilma Rousseff para presidente. Ela
representa uma grande evolução na história do Brasil,
entrando no maior cargo de uma democracia. Sua eleição
em 2010 e sua reeleição em 2014 foram fatos históricos,
independente do seu governo, se ela foi ou não uma boa
gestora.
Podemos ver essa trajetória como algo difícil, por ser
muito recente, pelos movimentos que vem desde então
buscando a libertação da imagem feminina. Ao longo de
toda a história, a mulher sempre esteve oprimida. Ainda
estamos aprendendo a repercussão desse empodera-
mento, hoje em dia.
Existem muitos grupos feministas, como o grupo
femen, que sempre age até mesmo de uma forma bem
chocante, radical. Ações quase invasivas, dentro de igre-
jas tirando peças de roupas. Esse tipo de coisa choca a
população.
A sociedade é feita de conflitos violentos, sejam eles
físicos ou simbólicos. Mas quando olhamos para esses con-
flitos, temos que interpretá-los. É óbvio que ninguém
apoia manifestações violentas. Num ambiente democrá-
tico, temos que ter o entendimento de que todos preci-
sam ter voz, mas também temos que repudiar atos de
extremismo, pois eles sempre vão implicar em violência.
Precisamos de voz, não violência. Voz de todos os grupos e
movimentos.
Agora: é o suficiente? A mulher já conseguiu o suficien-
te para se sentir confortável na sociedade?
Podemos separar isso em quatro partes: Papel da
mulher dentro de casa, dentro da esfera econômica, den-
tro do universo religioso (hoje em dia, algumas igrejas per-
mitem que as mulheres preguem, subam do púlpito e
falem da palavra de Deus. Outras não. Existem pastoras,
bispas, porque existem instituições que querem quebrar
o machismo no ambiente religioso), e claro, nosso quarto
viés é a política.
Só nas eleições de 2018, por exemplo, nós vimos mui-
tas mulheres se destacando. A Manuella D´ávilla, uma
grande representante da luta pelos direitos iguais, vice
do Haddad. Tivemos a Marina Silva, que já é uma parla-
mentar muito conhecida desde suas ligações com o movi-
mento ambientalista, depois ela funda a REDE.
Podemos pontuar a maneira como Marina do Rosário
foi tratada, e isso gerou uma grande discussão, pelo can-
didato( agora presidente eleito) Jair Bolsonaro, em que
ele foi extremamente misógino com ela dizendo que ela
não merecia ser estuprada porque ela não merecia. Até
que ponto as mulheres no meio político conseguem
suportar o machismo sobre elas, por exemplo, em Brasí-
lia? O ambiente lá, todos sabem, é machista. Podemos
fazer esse parâmetro de quantas mulheres foram elei-
tas, de quantas mulheres estão lá e comparar esses
dados com os dados referentes aos homens.
Podemos comparar também a quantidade da popula-
ção. Temos muito mais mulheres formando a sociedade
do que homens, mas muito menos mulheres na política do
que eles.
Nós podemos reverter isso, através da conscientiza-
ção, empoderando. Para que todos entendam que elas
precisam estar lá para serem atendidas, mas também
precisamos mudar esse cenário misógino. Da sociedade e
da política.
Para que elas ocupem a Câmara; elejam vereadoras,
que lancem suas candidaturas, para que a gente também
possa promover essa participação.