Revista Wonder revista (4) | Page 53

O tema é algo importante de ser pensado. A mulher esteve sujeita a um tipo de estereótipo, num rótulo, durante muito tempo ao longo da história. Podemos pen- sar que a figura feminina desde a antiguidade, e fazer uma relação entre o papel da mulher na vida social e na vida política, que na realidade não existia, até pouco tem- po. Sem voz ou participação. Isso em função da mudança, da forma de governo e da maneira que a sociedade se colocava, tudo era feito na base do patriarcalismo. E assim era na maioria dos povos antigos. Vamos pegar como exemplo a Grécia Antiga, o berço da Demo- cracia. A mulher era vista nos povos antigos como objeto. Para reprodução, para cuidado dos afazeres domésticos, dos filhos, para servir seus maridos sexualmente. Essa era a visão, patriarcalista, machista. Já o homem ficava destinado ao mundo dos negócios e ao mundo da política. Dentro desses modelos, a mulher realmente não possuía voz, pois quem dominava era o homem, tanto é que o her- deiro do trono, eram filhos primogênitos machos. Por isso, reis preferiam ter um filho varão, “macho”, para que ele pudesse então herdar o poder. Na democracia Grega, elas, por exemplo, não vota- vam. Bom, se formos pensar na evolução da mulher, ao longo do tempo ela continua sendo subjugada sob homens. Quando elas se impunham de alguma maneira para quebrar isso, elas sofriam. Repressão, perseguição. Eram reprimidas de diversas maneiras. Na Idade Média, tivemos a presença muito forte da reli- gião. A partir do século V d. C até o XV, então durante todo esse tempo, foram marcadas pelo moralismo religioso cristão, pelo domínio e hegemonia da Igreja sobre a socie- dade. E uma das posturas de que a Igreja tinha era de que: o sexo era apenas para reprodução, a mulher deve- ria estar sempre submissa ao seu homem, e que seu papel era doméstico, enquanto eles exerciam-se politica- mente e religiosamente. Eram vistas como objeto de peca- do, tentação, desejo carnal. Por isso deveriam ser recata- das, cobertas. As grandes heresias eram vinculadas à figura feminina. Assim surge a inquisição, onde mulheres que tinham postura de não aceitavam essa ideia de submissão eram classificadas como bruxas. Executadas, queimadas, gui- lhotinadas. Quem acabava indo queimada nas foguei- ras? As mulheres. Joanna D´arc foi vista como uma ameaça, por conta de sua posição. Então, quando tentavam romper com esse enquadramento misógino, onde não podiam estudar ou trabalhar fora, eram retalhadas. Durante muito tempo isso ficou assim, dividido: O mundo dos negócios, político, tudo que estava fora de casa, do ambiente privado, era essencialmente masculi- no. O ambiente privado, dos cuidados e da serventia, à mulher. Isso passou a ser mudado na idade moderna e con- temporânea, a partir do século XX. Desde então, vemos uma organização feminina para lutar contra todo esse padrão de comportamento Uma democracia, funciona com base na participação dos cidadãos. Homens, mulheres, somos todos cidadãos. Se faz também pelo voto, pela manifestação do povo, escolhendo seus candidatos e debatendo seus princípios. Nessa iniciação, quem podia votar eram apenas os homens. Brancos, ricos e letrados. Muito restritos. As coisas foram mudando para que elas pudessem votar. Não só elas como negros, analfabetos. No caso delas, o movimento feminista, que passou a ser organizado fortemente ao longo dos anos 40 a 60, se mobilizou muito por essa quebra dos rótulos, batendo de frente e trazendo um aprimoramento dos regi- mes, a questão de que as mulheres tem, sim, direi- tos, atuando na vida soci- al como bem entende- rem.