PONTO DE VISTA
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ESCOLTA ARMADA EM
NEGOCIAÇÃO NA CCASP
O
AUTAIR IUGA
Presidente do Sindicato das
Empresas de Escolta do Estado
de São Paulo (SEMEESP)
Sindicato das Empresas de Escolta do
Estado de São Paulo (SEMEESP) se faz
presente em uma das maiores e mais
importantes negociações da escolta
armada dos últimos anos: a Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada - Escolta
Armada (CCASP), na qual coordeno o grupo de
negociação entre as partes laboral e patronal.
Nas primeiras reuniões, realizadas em nossa sede nos dias 10 e 25 de junho, contamos
com a paticipação da Associação Brasileira
dos Cursos de Formação e Aperfeiçoamento
de Vigilantes (ABCFAV), da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte
de Valores (FENAVIST), da Associação Brasileira das Empresas de Vigilância (ABREVIS)
e do SEMEESP, representando a parte patronal; da Confederação Nacional de Vigilantes e
Prestadores de Serviços (CNTV) e da Federação dos Trabalhadores em Segurança e Vigilância Privada, Transporte de Valores, Similares
e Afins do Estado de São Paulo (FETRAVESP),
pelo lado laboral. Também tivemos a presença de um representante do Exército, que, por
determinação do Departamento de Polícia Federal - DPF, é responsável pela fiscalização dos
produtos controlados.
Entre os assuntos abordados, o mais importante tornou-se o foco dos trabalhos: a
exigência da parte laboral para que todas as
viaturas de escolta armada sejam blindadas,
assim como o transporte de valores. As duas
partes apresentaram dados sobre blindagem,
baseados em visita técnica a empresa especializada, quando conheceram todo o processo desse tipo de serviço. Comprovaram
visualmente a impossibilidade da blindagem
eficaz em veículos utilizados por 99% das
empresas para a atividade.
Com potência de mil ou 1.500 cilindradas,
eles não suportam a blindagem nível III, apenas a mais fraca, que de nada adiantaria em
caso de confronto direto com bandidos que
utilizam armamento de grosso calibre. Dados
obtidos nas últimas apreensões de quadrilhas que atuam no roubo de carga apontam
que cerca de 90% das armas são fuzis AR-15
ou 7,62. Mais uma vez se comprovou que um
veículo com blindagem abaixo do nível III
apenas cria uma falsa sensação de segurança
para os vigilantes.
O bem maior é a vida dos vigilantes, os envolvidos na situação de risco, mas trocar todas
as viaturas por veículos mais potentes e com
blindagem adequada não seria suficiente. Isso
porque, diferentemente do transporte de valores, na escolta armada o bem visado é apenas
a carga que fica dentro do caminhão, à frente
da viatura da escolta.
Foi apresentado ainda um estudo sobre a
causa de morte de vigilantes da escolta armada nos últimos 24 meses, feito pelo SEMEESP,
com mais de 30 empresas associadas. Foram
cerca de 530 mil missões de escolta armada,
com 14 mortes: nove por acidentes de trânsito (a maioria por imprudência do motorista
ou precariedade das vias públicas, na volta da
missão) e cinco por confrontos com bandidos,
em missão.
O SEMEESP luta pela melhoria do setor e
pela preservação da vida do vigilante. E de
nada adiantaria mudar se continuasse a haver óbitos, mesmo com um gasto astronômico para blindar as viaturas. Após consenso, as
partes apresentarão as informações ao DPF
em Brasília.
Revista SESVESP | 19