Revista Sesvesp ED. 123 - 2015 | Page 19

PONTO DE VISTA iStock ESCOLTA ARMADA EM NEGOCIAÇÃO NA CCASP O AUTAIR IUGA Presidente do Sindicato das Empresas de Escolta do Estado de São Paulo (SEMEESP) Sindicato das Empresas de Escolta do Estado de São Paulo (SEMEESP) se faz presente em uma das maiores e mais importantes negociações da escolta armada dos últimos anos: a Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada - Escolta Armada (CCASP), na qual coordeno o grupo de negociação entre as partes laboral e patronal. Nas primeiras reuniões, realizadas em nossa sede nos dias 10 e 25 de junho, contamos com a paticipação da Associação Brasileira dos Cursos de Formação e Aperfeiçoamento de Vigilantes (ABCFAV), da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (FENAVIST), da Associação Brasileira das Empresas de Vigilância (ABREVIS) e do SEMEESP, representando a parte patronal; da Confederação Nacional de Vigilantes e Prestadores de Serviços (CNTV) e da Federação dos Trabalhadores em Segurança e Vigilância Privada, Transporte de Valores, Similares e Afins do Estado de São Paulo (FETRAVESP), pelo lado laboral. Também tivemos a presença de um representante do Exército, que, por determinação do Departamento de Polícia Federal - DPF, é responsável pela fiscalização dos produtos controlados. Entre os assuntos abordados, o mais importante tornou-se o foco dos trabalhos: a exigência da parte laboral para que todas as viaturas de escolta armada sejam blindadas, assim como o transporte de valores. As duas partes apresentaram dados sobre blindagem, baseados em visita técnica a empresa especializada, quando conheceram todo o processo desse tipo de serviço. Comprovaram visualmente a impossibilidade da blindagem eficaz em veículos utilizados por 99% das empresas para a atividade. Com potência de mil ou 1.500 cilindradas, eles não suportam a blindagem nível III, apenas a mais fraca, que de nada adiantaria em caso de confronto direto com bandidos que utilizam armamento de grosso calibre. Dados obtidos nas últimas apreensões de quadrilhas que atuam no roubo de carga apontam que cerca de 90% das armas são fuzis AR-15 ou 7,62. Mais uma vez se comprovou que um veículo com blindagem abaixo do nível III apenas cria uma falsa sensação de segurança para os vigilantes. O bem maior é a vida dos vigilantes, os envolvidos na situação de risco, mas trocar todas as viaturas por veículos mais potentes e com blindagem adequada não seria suficiente. Isso porque, diferentemente do transporte de valores, na escolta armada o bem visado é apenas a carga que fica dentro do caminhão, à frente da viatura da escolta. Foi apresentado ainda um estudo sobre a causa de morte de vigilantes da escolta armada nos últimos 24 meses, feito pelo SEMEESP, com mais de 30 empresas associadas. Foram cerca de 530 mil missões de escolta armada, com 14 mortes: nove por acidentes de trânsito (a maioria por imprudência do motorista ou precariedade das vias públicas, na volta da missão) e cinco por confrontos com bandidos, em missão. O SEMEESP luta pela melhoria do setor e pela preservação da vida do vigilante. E de nada adiantaria mudar se continuasse a haver óbitos, mesmo com um gasto astronômico para blindar as viaturas. Após consenso, as partes apresentarão as informações ao DPF em Brasília. Revista SESVESP | 19