Revista Sesvesp ED. 123 - 2015 | Page 17

que eu estava 95% certo, o ministro atribuiu a responsabilidade pela omissão governamental aos empresários da segurança, à Febraban, aos vigilantes e aos desajustes e interesses conflitantes entre todos os envolvidos no processo. A missão atribuída a essa comissão é atuar para estabelecer um piso nacional e atualizar a legislação da categoria. Ouvimos representantes de todas as áreas envolvidas e interessadas no assunto e tentamos buscar soluções para combinar sonhos, mais do que legítimos, com as reais possibilidades. Esse equilíbrio é delicado. Falácias são ditas, como "os bancos faturam milhões" e, portanto, seria possível estabelecer um piso maior – no mínimo R$ 3 mil. Mas o presidente da FENAVIST, Jeferson Furlan Nazário, apresentou planilhas que mostram que um posto de 24 horas com o piso nesse valor vai implicar um custo mensal de R$ 50 mil ao contratante. CAMELÔS DA SEGURANÇA Por outro lado, os representantes do governo (lembrando que 35% dos contratantes de serviços de segurança privada são a União, os estados e municípios) dizem que não aguentariam pagar um centavo a mais pela segurança. A nós cabe equacionar isso e estamos trabalhando muito nesse sentido. No que tange à legislação, o esforço é para apresentar na Câmara o mais que necessário estatuto. A FENAVIST e a Polícia Federal lançaram uma campanha nacional de orientação e combate à clandestinidade. A legislação atual não dá respaldo à fiscalização nem à criminalização de condutas de quem oferece, quem contrata e quem executa esse tipo de atividade. A própria estrutura de fiscalização da Polícia Federal (em razão do imenso acúmulo de funções) não A legislação atual está defasada em relação às necessidades, evolução e importância da segurança privada no país atende de maneira ideal nem sequer tem contingente suficiente para isso. É importante essa campanha para que o público saiba que, muitas vezes, o cidadão está contratando justamente o olheiro do bandido. Da irregularidade total que temos, exemplifico a situação de São Paulo. Por ineficiência do sistema de segurança na capital paulista, temos seguranças clandestinos por todas as ruas onde a população consegue pagar por isso. O decreto nº 50.301/68, ainda em vigor, determina um cadastramento desses “seguranças”... E um projeto eleitoreiro, aprovado por um governador, estabeleceu que os “guardas de quarteirão” podem, inclusive, andar armados! É claro que houve arguição da inconstitucionalidade, mas sem nenhum controle nem adequação à realidade. Continua a ação dos “camelôs da segurança”. O fato é que vivemos um momento crítico, que pede mobilização e que serve como mecanismo de pressão sobre o Congresso Nacional e o governo federal, para que se tomem atitudes concretas, que acabe essa enrolação de dizer “estamos finalizando o projeto”, pois há muitos anos ouvimos isso e o projeto não apareceu. Não se pode improvisar em segurança! Vamos ter, sim, de promover a necessária atualização da segurança e fazer com que a legislação seja cumprida. INTERESSES CONVERGENTES Nesse esforço, a criminalização de condutas de quem contrata ou ofere- ce serviços clandestinos de segurança se faz necessária, porque fortalece todos aqueles que têm missão constitucional, poder de polícia, para auxiliar na fiscalização dessas condutas. É nesse panorama que digo que é um pensamento uníssono hoje na Comissão Especial, que trabalha de forma aberta, isenta, transparente e extremamente comprometida, fazer valer a posição do Legislativo brasileiro, cobrar a ação do Executivo e buscar o atendimento das necessidades por meio da mediação política e democrática. Quanto ao piso nacional, é mais que natural que os vigilantes lutem pela valorização da categoria, de forma inédita. Nunca empresários e vigilantes estiveram tão unidos e com interesses convergentes, mas as planilhas são abertas e transparentes e não mentem. Se quem contrata os serviços (poder público, bancos, indústria e comércio) diz que não suporta mais nenhum centavo de acréscimo, e os empresários da segurança mostram suas planilhas com margens mínimas de lucro, só resta ao governo desonerar a folha de pagamento e os impostos do setor – o que foi enviado há pouco ao Congresso – e aprovar a reoneração de inúmeros setores para ajuste fiscal e reequilíbrio da economia do país. Todos querem ser mais bem remunerados, mas não se pode, com isso, criar a impossibilidade real da atividade e, por consequência, causar desemprego. Com a palavra, o governo. Revista SESVESP | 17