do encantamento gerado pelo
Pequeno livro de mal criações...,
o que permite criar um paralelo
a partir de que “existem livros
de artista que não foram feitos
para crianças, mas que contêm
jogos ou brincadeiras, adotam
formatos, cores e outros elementos
encontrados em livros para crianças,
e por isso podem ser entendidos
e usados por elas. (CADÔR, 2012,
v. 2, p. 60) As figuras saltam da
página, gerando uma variação
do que seria o pop-up. O formato
escolhido permite ler a descida
de um morro em contraposição
à planície onde, em cada um dos
quadros, um personagem em cima
de uma bicicleta gera a sensação de
movimento (Fig. 5). Respiro estende
a apresentação da obra para o
espaço móvel sendo o formato um
registro da exposição de mesmo
nome em versão de pequeno livro.
A fotografia que gera cada página,
somada ao recorte das figuras e as
dobras do formato sanfona, formam
um conjunto integrado ao qual o
tratamento manual é fundamental,
onde o corpo se desloca no
espaço e se estende a página.
Dear lover, goodbye, é um livro de
artista da autora Flavia Kitasato,
vinculada à edições BREU. Os 10
exemplares impressos em jato de
tinta pigmentada, parafinado folha
a folha e costurado manualmente,
traz propositalmente as grossas e ao
mesmo tempo bem fixadas marcas do
processo de execução.
As características de tiragem, a escolha
do tipo de impressão, a transparência
amarelada das folhas parafinadas
em contraposição à transparência do
papel vegetal (Fig. 6) aos processos
anteriormente citados, reflete uma
relação simbiótica entre o manual e a
máquina simbolizado pela impressão
digital. A apropriação dos modos de
produção como parte da criação de
sentido refletidos na materialidade
do impresso trazem inevitavelmente
uma relação híbrida, ou por vezes
simbiótica, que potencialmente se
estende para além do objeto, o que
perpassa pelos exemplos citados.
Estes espaços de atuação afirmam
a inevitável utilização dos recursos
manuais, não só como aparato de
criação, mas também execução da
obra editada. Tornando-as acessíveis
a partir da geração autônoma
de cada exemplar da tiragem ou
dos tensionamentos em torno de
outros fazeres. O que traz para
além da forma, sentido ampliado
do porquê da utilização dos modos
de produção nos livros de artista
4. Ver: HASLAM,
Andrew. O livro e o
designer II: Como Criar
e Produzir Livros. São
Paulo: Rosari, 2007.
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5. Helena Giestas,
Respiro. Hena Giestas,
Campinas/SP. 2016.