REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 99

do encantamento gerado pelo Pequeno livro de mal criações..., o que permite criar um paralelo a partir de que “existem livros de artista que não foram feitos para crianças, mas que contêm jogos ou brincadeiras, adotam formatos, cores e outros elementos encontrados em livros para crianças, e por isso podem ser entendidos e usados por elas. (CADÔR, 2012, v. 2, p. 60) As figuras saltam da página, gerando uma variação do que seria o pop-up. O formato escolhido permite ler a descida de um morro em contraposição à planície onde, em cada um dos quadros, um personagem em cima de uma bicicleta gera a sensação de movimento (Fig. 5). Respiro estende a apresentação da obra para o espaço móvel sendo o formato um registro da exposição de mesmo nome em versão de pequeno livro. A fotografia que gera cada página, somada ao recorte das figuras e as dobras do formato sanfona, formam um conjunto integrado ao qual o tratamento manual é fundamental, onde o corpo se desloca no espaço e se estende a página. Dear lover, goodbye, é um livro de artista da autora Flavia Kitasato, vinculada à edições BREU. Os 10 exemplares impressos em jato de tinta pigmentada, parafinado folha a folha e costurado manualmente, traz propositalmente as grossas e ao mesmo tempo bem fixadas marcas do processo de execução. As características de tiragem, a escolha do tipo de impressão, a transparência amarelada das folhas parafinadas em contraposição à transparência do papel vegetal (Fig. 6) aos processos anteriormente citados, reflete uma relação simbiótica entre o manual e a máquina simbolizado pela impressão digital. A apropriação dos modos de produção como parte da criação de sentido refletidos na materialidade do impresso trazem inevitavelmente uma relação híbrida, ou por vezes simbiótica, que potencialmente se estende para além do objeto, o que perpassa pelos exemplos citados. Estes espaços de atuação afirmam a inevitável utilização dos recursos manuais, não só como aparato de criação, mas também execução da obra editada. Tornando-as acessíveis a partir da geração autônoma de cada exemplar da tiragem ou dos tensionamentos em torno de outros fazeres. O que traz para além da forma, sentido ampliado do porquê da utilização dos modos de produção nos livros de artista 4. Ver: HASLAM, Andrew. O livro e o designer II: Como Criar e Produzir Livros. São Paulo: Rosari, 2007. 101 5. Helena Giestas, Respiro. Hena Giestas, Campinas/SP. 2016.