Figura 3, 4. Fernando
Ferreira, Pequeno
livro de mal criações
para crianças bem
criadas. Crivo, Belo
Horizonte/MG, 2016.
100
3. Ver: López, C., A.
Quintana Isaías, M.V.
Meeren. Papel amate.
CONABIO. Biodiversitas
82:11-15, 2009
(álmatl) da capa (Figura. 1, 2). O papel
Amate, para além do aspecto utilitário,
é um signo importante para a cultura
mexicana. Se trata do mesmo papel
utilizado como suporte de escrita
dos povos ameríndio mesoamericano
no contexto pré-hispânico 3 .
Ao tencionar materialmente estes
dois suportes, onde o papel Amate
evidência as marcas características e
a irregularidade visível das fibras da
madeira, são claramente manifestas as
relações entre as diferentes culturas
de produção se estendendo à mescla
entre as técnicas. Dessa forma, o
corpo do livro carrega a marca dos
processos, em uma proposta de
encontro com os contextos artesanal
e industrial trazidos no próprio texto.
À primeira vista, o Pequeno livro
de mal criações para crianças
bem criadas (Figura 3, 4) traduz
perfeitamente o que diz Amir Brito
Cadôr já nas primeiras linhas sobre
o signo infantil em livros de artista:
“Existem livros que são destinados
aos pequenos, e que são atraentes,
agradáveis e interessantes para
pessoas de qualquer idade” (CADÔR,
2012, v. 2, p. 60). Essa seria a síntese
declarada de para que veio o livro do
ilustrador Fernando Ferreira. Diria
que, além da visualidade, o livro traz
de alguma forma tensionamentos
culturais interessantes da produção
do livro. Sabe-se que não se
produzem industrialmente livros
em pop-up no extenso território
brasileiro, e que os que são vendidos
por aqui são enviados normalmente
por grandes editoras para serem
executados na China 4 . No entanto,
o processo de criação do livro
de Fernando Ferreira surgiu da
exploração dessa técnica, sendo a
produção manual parte importante
de como foi concebido o objeto e das
possibilidades de reprodução. Com a
vontade de tornar o livro acessível,
e de trazer os processos de produção
ao nosso contexto, o livro foi
executado a muitas mãos. Quantas
se disponibilizaram à materialização
desse projeto de 80 páginas coladas
uma a uma, impresso em offset, 11
pop-ups montados manualmente
e uma tiragem de 200 exemplares.
Atividade possível em grande parte
da parceria entre o coletivo de
experimentação gráfica PHONTE88, o
autor, e a íntima relação de cada um
dos envolvidos com o fazer manual,
além do apoio da editora CRIVO.
Respiro, da artista visual, fotógrafa
e encadernadora Helena Giestas,
segue uma premissa parecida