REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 98

Figura 3, 4. Fernando Ferreira, Pequeno livro de mal criações para crianças bem criadas. Crivo, Belo Horizonte/MG, 2016. 100 3. Ver: López, C., A. Quintana Isaías, M.V. Meeren. Papel amate. CONABIO. Biodiversitas 82:11-15, 2009 (álmatl) da capa (Figura. 1, 2). O papel Amate, para além do aspecto utilitário, é um signo importante para a cultura mexicana. Se trata do mesmo papel utilizado como suporte de escrita dos povos ameríndio mesoamericano no contexto pré-hispânico 3 . Ao tencionar materialmente estes dois suportes, onde o papel Amate evidência as marcas características e a irregularidade visível das fibras da madeira, são claramente manifestas as relações entre as diferentes culturas de produção se estendendo à mescla entre as técnicas. Dessa forma, o corpo do livro carrega a marca dos processos, em uma proposta de encontro com os contextos artesanal e industrial trazidos no próprio texto. À primeira vista, o Pequeno livro de mal criações para crianças bem criadas (Figura 3, 4) traduz perfeitamente o que diz Amir Brito Cadôr já nas primeiras linhas sobre o signo infantil em livros de artista: “Existem livros que são destinados aos pequenos, e que são atraentes, agradáveis e interessantes para pessoas de qualquer idade” (CADÔR, 2012, v. 2, p. 60). Essa seria a síntese declarada de para que veio o livro do ilustrador Fernando Ferreira. Diria que, além da visualidade, o livro traz de alguma forma tensionamentos culturais interessantes da produção do livro. Sabe-se que não se produzem industrialmente livros em pop-up no extenso território brasileiro, e que os que são vendidos por aqui são enviados normalmente por grandes editoras para serem executados na China 4 . No entanto, o processo de criação do livro de Fernando Ferreira surgiu da exploração dessa técnica, sendo a produção manual parte importante de como foi concebido o objeto e das possibilidades de reprodução. Com a vontade de tornar o livro acessível, e de trazer os processos de produção ao nosso contexto, o livro foi executado a muitas mãos. Quantas se disponibilizaram à materialização desse projeto de 80 páginas coladas uma a uma, impresso em offset, 11 pop-ups montados manualmente e uma tiragem de 200 exemplares. Atividade possível em grande parte da parceria entre o coletivo de experimentação gráfica PHONTE88, o autor, e a íntima relação de cada um dos envolvidos com o fazer manual, além do apoio da editora CRIVO. Respiro, da artista visual, fotógrafa e encadernadora Helena Giestas, segue uma premissa parecida