O BORDADO COMO
LINGUAGEM DE RESISTÊNCIA NA
AMÉRICA LATINA:
América Latina é rica
em trabalho artesanal
oriundo dos povos
tradicionais e seus
saberes. Em decorrência
da colonização e da colonialidade,
muitas dessas técnicas sofreram
invisibilização e apropriação, em
favor dos países colonizadores.
Na história do continente podemos
reconhecer numerosos povos que
produziram — e ainda produzem
— diversos tipos de arte têxtil, com
uma riqueza inigualável de materiais
e técnicas (QUEIROZ, 2011).
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A colonização trouxe para o Brasil
as práticas artesanais dos países
europeus. Segundo Silva (1995),
os engenhos de açúcar das áreas
rurais foram locais que favoreceram
a difusão das artes manuais.
As senhoras de engenho, que tinham
o bordado enquanto ocupação
doméstica, passavam as técnicas
europeias para as mucamas que
lhes serviam. Assim, essas práticas
foram sendo transmitidas de
geração em geração e se tornando
tradicionais em algumas famílias e
regiões. Posteriormente, no decorrer
da industrialização, o bordado foi
fonte de sustento para mulheres da
classe menos abastada, por ser um
trabalho manual que gozava de certa
demanda e atraia consumidores
de maior poder aquisitivo.
Na América Latina, o bordado
também tem agido como uma
expressão de resistência. Nos anos
da ditadura de Augusto Pinochet
(1973-1990), mulheres chilenas
produziram as Arpilleras, expressão
que surgiu para se referir ao trabalho
de um grupo de bordadeiras de Isla
Negra, região litorânea do Chile,
que utilizava suportes rústicos,
como sacos de cânhamo, e costurava
à mão, compartilhando nesse
espaço de tecido suas histórias
e as das suas comunidades. Elas
denunciaram abertamente para
o mundo injustiças e torturas
do período ditatorial. Segundo
Roberta Bacic (2012) as Arpilleras
se tornaram também uma fonte de
renda graças à atividade cooperativa.
As Apilleras chilenas tiveram entre
seus expoentes a artista Violeta
Parra, que fez diversos trabalhos
de bordado em formato de grandes
telas, com temáticas regionais e
de protesto. Em 1964, Parra expôs
suas obras no Museu de Artes
Decorativas do Louvre (Musée des
Arts Décoratifs), se tornando a
primeira artista latino-americana
a fazê-lo. No Brasil, esse tipo de
trabalho de denúncia é realizado
por alguns grupos, dentre os
quais podemos citar o Movimento
Atingidos por Barragens (MAB),
uma organização nacional que
tem como objetivo defender os