do grupo, no sentido em que abriga
culturas que conversam diretamente,
sem ter que “passar” por outras
línguas, ainda que, claro, em diálogo
com o local, que neste caso é a cidade
de Berlim. Nas suas ações, o coletivo
aborda identidade, resistência,
solidariedade e a vida de artistas na
diáspora. O projeto tem suporte da
Secretaria de Cultura de Berlim.
“Mudar a cara da arte e dos artistas”:
é com este propósito e a necessidade
de um espaço de refúgio que Village
Unhu é fundado em 2009, em Harare,
Zimbábue. Village Unhu, desde então,
oferece espaço para artistas, na forma
de uma plataforma de conversas,
programas de residências, workshops,
ateliês, e curadoria de exposições,
envolvendo pintura, desenho, gráficos,
esculturas e instalações multimídia.
A iniciativa foi criada pelo casal
Misheck Masamvu e Georgina
Maxim. Desde 2012 seus projetos
têm se ampliado para responder à
necessidade de espaços de arte móveis,
que possam ir às comunidades, como
ônibus vintage e contêineres de metal.
Existe mesmo essa coisa de um coletivo?
– Georgina Maxim pergunta de forma
provocativa, em sua estada no Brasil,
como artista residente da Vila Sul,
do Goethe Institute, em 2019.
E ela mesma responde: coletivos são
pessoas decididas a trabalhar juntas
e mudar o sistema da arte, mudar
a imagem que temos dos artistas e,
além disso, contaminar a comunidade
com o desejo de mudança. É preciso
criar espaços alternativos às galerias
tradicionais que promovem somente
determinados tipos de arte, nos diz
Maxim. Desigualdade, gênero
e racismo são alguns dos“conteúdos
fortes” e necessários de se abordar
nos trabalhos do coletivo.
Através da performance, os integrantes
do Mowoso (aqui vestidos de
Sapeurs: Société des Ambianceurs et
des Personnes Élégantes, que pode
ser traduzido como “Sociedade
dos Ambientadores e das Pessoas
Elegantes”) insurgem em uma
realidade marcada pela exploração
e por diversas formas de colonização.
Os Sapeurs radicalizam um certo
estilo de se vestir/comportar em
voga entre a juventude urbana
congolesa, que deseja fugir da
pobreza que os rodeia, geralmente
mudando-se para uma metrópole e,
Figura 1. ¡n[s]urgênc!as.
Fonte: arquivo de
¡n[s]urgênc!as, 2018.
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