REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 77

do grupo, no sentido em que abriga culturas que conversam diretamente, sem ter que “passar” por outras línguas, ainda que, claro, em diálogo com o local, que neste caso é a cidade de Berlim. Nas suas ações, o coletivo aborda identidade, resistência, solidariedade e a vida de artistas na diáspora. O projeto tem suporte da Secretaria de Cultura de Berlim. “Mudar a cara da arte e dos artistas”: é com este propósito e a necessidade de um espaço de refúgio que Village Unhu é fundado em 2009, em Harare, Zimbábue. Village Unhu, desde então, oferece espaço para artistas, na forma de uma plataforma de conversas, programas de residências, workshops, ateliês, e curadoria de exposições, envolvendo pintura, desenho, gráficos, esculturas e instalações multimídia. A iniciativa foi criada pelo casal Misheck Masamvu e Georgina Maxim. Desde 2012 seus projetos têm se ampliado para responder à necessidade de espaços de arte móveis, que possam ir às comunidades, como ônibus vintage e contêineres de metal. Existe mesmo essa coisa de um coletivo? – Georgina Maxim pergunta de forma provocativa, em sua estada no Brasil, como artista residente da Vila Sul, do Goethe Institute, em 2019. E ela mesma responde: coletivos são pessoas decididas a trabalhar juntas e mudar o sistema da arte, mudar a imagem que temos dos artistas e, além disso, contaminar a comunidade com o desejo de mudança. É preciso criar espaços alternativos às galerias tradicionais que promovem somente determinados tipos de arte, nos diz Maxim. Desigualdade, gênero e racismo são alguns dos“conteúdos fortes” e necessários de se abordar nos trabalhos do coletivo. Através da performance, os integrantes do Mowoso (aqui vestidos de Sapeurs: Société des Ambianceurs et des Personnes Élégantes, que pode ser traduzido como “Sociedade dos Ambientadores e das Pessoas Elegantes”) insurgem em uma realidade marcada pela exploração e por diversas formas de colonização. Os Sapeurs radicalizam um certo estilo de se vestir/comportar em voga entre a juventude urbana congolesa, que deseja fugir da pobreza que os rodeia, geralmente mudando-se para uma metrópole e, Figura 1. ¡n[s]urgênc!as. Fonte: arquivo de ¡n[s]urgênc!as, 2018. 77