Figura 2. Fundadores
da Village Unhu, no
Zimbábue: Gareth
Nyandoro, Misheck
Masamvu e Georgina
Maxim. Fonte: Village
Unhu (2019)
e Muchuri (2018).
mais especificamente, Paris. Esta
performance e o ensaio fotográfico
são uma crítica cultural, social
e econômica, que se constrói a partir
dos contrastes. Como destaca Santos
(2019, p. 93), embora os congoleses
possuam uma longa história de cuidados
com a aparência e gosto pela vestimenta,
a SAPE ou a sapelogie é um fenômeno
moderno, que surge enquanto tal, logo
após as independências congolesas,
na década de 1960. Como bricoleurs e
artistas, eles se apropriam da obra de
outros artistas (nesse caso, os estilistas
que desenharam as roupas), e “produzem
subjetividades que envolve também a
criação de uma “pessoa pública”, ou,
“pessoa-para-o-espetáculo”, que surge
nas apresentações dos ‘sapeurs’”,
aponta Santos (2019, p. 102).
Ao se proclamar publicamente
como um homem extraordinário
vestindo roupas excepcionais,
o sapeur se transforma em tal,
continua a autora. No entanto,
o cotidiano dos sapeurs em Paris é
difícil, tanto em relação a questões
legais referentes à permanência
no país, à residência e a ofertas
de emprego qualificado.
A sapelogie, com suas roupas
e performances, dramatiza e
questiona o próprio fluxo em
meio ao qual ela acontece, reforça
Santos (2019, p. 102): “os sapeurs
inventam novas formas de refletir e
viver a mobilidade, valorizando-a ao
mesmo tempo em que reafirmam o
pertencimento ao país de origem”,
a República Federativa do Congo.
O Coletivo Mowoso, atuante entre
2007 e 2011, desenvolveu práticas
assentadas na realidade cotidiana
urbana africana, transbordando as
tradicionais concepções teóricas
eurocêntricas/ocidentais, que
tentam a todo custo categorizar os
fazeres artísticos africanos a partir
de olhares e eixos hegemônicos,
evidencia Lemu (2019).
Em 2005, o caso de racismo ocorrido
no jogo entre os times São Paulo e
Quilmes 4 — da Argentina — ganhou
espaço nas diferentes mídias, que
noticiaram o jogador argentino