REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 52

o uso “como condição por experiência” no Design, em contraposição à atitude contemplativa. Duarte (2013) considerava que a estética das formas mecânicas da produção industrial era a arte da modernidade, e acreditava que a produção artística não estaria mais voltada para a contemplação, pois o uso — que a priori pressupõe necessidade — seria a força de arranque do processo criativo modernista. ruptura de equilíbrio no interior de um sistema, o impulso de restaurá- lo. Se consideramos que todas as relações são sistemas, teremos a necessidade como móvel de toda ação, seja de procurar alimento, abrigo ou amor. A necessidade, com a nitidez que lhe caracteriza, exclui o gratuito”. (DUARTE, 2013, p. 190) SEQUÊNCIA 17: Beta Archtecton, Malevich (1926) e Bichos, Lygia Clark (1950). SEQUÊNCIA 18: imagens de capas de discos e poster criados por Rogério Duarte. SEQUÊNCIA 19: imagens de de mãos interagindo com os livros da Incubadora de Publicações Gráficas (2018). Territórios Movediços (Luma Flôres e Felipe Rezende); Marear (Taygoara Aguiar); Templo (Pedro Marighella); Escuro (Lia Cunha e Leonardo França). SEQUÊNCIA 20: imagens de mãos interagindo com os livros da Incubadora de Publicações Gráficas (2018). Diário do pó (Leandro Estevam); Multidão (Lucas Moreira e Editora Gris). Foi a intuição do uso como único meio de comunicação estética que levou um Malevich à construção das arquiteturas, ou uma Lygia Clark a construir os Bichos. Só que nos dois casos a relação falhava por não haver a necessidade do objeto; era uma tentativa de criar o uso na gratuidade, a relação permanece no plano do absurdo (DUARTE, 2013, p. 188). É o próprio Rogério Duarte que nos faz questionar a afirmação acima, quando explica que “necessidade”, “É quando se estabelece uma Ao concordar com a ideia de necessidade como impulso para a restauração do equilíbrio das relações humanas, somos tomados pelo seguinte questionamento: a função poética ou estética de objetos como as Arquiteturas e os Bichos já não fariam parte das necessidades humanas tanto quanto amar, morar ou se alimentar? Acredito que a apropriação pelo uso de objetos que questionem as lógicas hegemônicas, cuja função poética se sobreponha à necessidade de possuir, pode ser uma estratégia para manter