REVISTA MIOLO Miolo_12_05_2019 | Page 41

Em qua, 12 de jun de 2019 às 13:31, Maré de Matos escreveu: - eu que acreditei que o tempo do sertão era justo com nossas trocas, fui deslocada pelas vastas tempestades - a experiência no sertão transbordou todos os limites imaginados, juro, de fontes de saber, de locução, de resistência pelas palavras, a oralidade e memória tão aliadas, uma surpresa sem fim fui em busca das poetas e antes da palavra poeta encontrei tantas mulheres das palavras, que ora refutaram o nome poeta, ora se acolheram no nome poeta,uma anti- lógica narrativa, primeiro a poesia e o tempo, depois a pauta política, depois o título: há muito que se aprender no sertão e há muito que se ensinar às hegemonias - severina branca, poeta de 75 anos, analfabeta, declamadora impressionante (te mando uma fotografia e um áudio pra que ouça a voz que atravessa os tempos) o sertão tava muito verde e também como disseram lá: o rio que há muito não sangrava (passava de seu limite). paisagem surpreendente pra seca que querem, sabedoria surpreendente pro limite de quem descreve acho que o livro e a palavra escrita tem também esse poder: enclausurar indígenas e negros e nos distrair do som que sai da boca da poesia dita partilha, que tem o princípio da escuta, não é? sinto que fui ao sertão encontrar e aprendi sobretudo que o que antecede o encontro é o reconhecimento - precisamos percorrer outros territórios e expandir o vocabulário desse português tão tímido se posto ao pé de tantas existências - percorrer carinhosamente nossas diferenças. é matéria de poesia, não é? me perdoe pela desordem no tempo, hei de fazer as pazes com os prazos pra dar tempo às palavras. te escuto muito bem daqui, viu?