Revista Líder Coach - Setembro - Novembro - 2019 Revista Líder Coach 14 11 2019 | Page 38

CONSULTORIA E COACHING EM EMPRESAS FAMILIARES JOMAR FILHO “Há alguns anos, eu enxerguei uma oportunidade de negócio bastante interessante e lucrativo. Não tinha ninguém fazendo aquilo na época, era algo inovador. Não era o produto em si, mas a forma de comercializá-lo seria nosso grande diferencial. Com a nova tecnologia que havia surgido, eu senti que era a hora certa para arriscar e exponencializar meus ganhos. Inicialmente eu tentei trabalhar sozinho, mas isso se mostrou impossível. Eram muitos afazeres, confl itos de tempo e os resultados não aconteciam. Depois de um certo tempo, percebi que para dar certo eu teria que engajar outras pessoas. Mas quais pessoas eu engajaria? Após pensar muito, eu resolvi engajar meus fi lhos e alguns amigos. Bom, foi assim que chegamos até aqui. Graças a minha visão e minha iniciativa naquele momento, hoje estamos bem posicionados no mercado e temos uma vida fi nanceira confortável.” É muito comum que empresas familiares nasçam de forma semelhante a esta. Na necessidade de engajar 38 LÍDER COACH pessoas em seus projetos, os fundadores optam por empregar as que estão mais próximas. Inicialmente, esta pode ser uma estratégia bastante vencedora. Pessoas de confi ança, equipes entrosadas, agilidade em tomar decisões e unir trabalho com a vida pessoal fazem o negócio em questão ser altamente competitivo. Entretanto, com o tempo e com o crescimento da empresa, o que era uma estratégia vencedora pode passar a ser uma grande dor de cabeça. “O QUE TE TROUXE ATÉ AQUI , NÃO TE LEVA ATÉ AMANHÃ ”. Esta máxima do coaching traduz perfeitamente o momento em que a então fórmula do sucesso passa a ser a fórmula do desastre. Para que a empresa continue crescendo é necessário fomentar mudanças, renovar o espírito empreendedor, delegar tarefas e até mesmo decentralizar decisões. E aquele que por tanto tempo venceu na vida por liderar de forma autoritária, passa por uma grande crise em ter que passar o bastão. O dono compreende que foram as suas decisões que levaram a empresa até aquele estágio de sucesso e que ninguém tomará decisões como ele. De fato, ele tem razão, ninguém tomará decisões como ele. No entanto, o novo cenário exige um novo espírito empreendedor, uma nova pessoa para levar a organização ao próximo estágio de crescimento. Em geral, os donos conseguem entender esta necessidade racionalmente e até aceitam arriscar a descentralização, mas nas primeiras discordâncias de opinião o autoritarismo retorna e novamente assume o controle. Isso acontece quando o plano de sucessão não foi trabalhado com a profundidade que ele exige. A empresa é um sistema vivo, integrado, e substituir seu maior líder é um trabalho que deve ser preparado de forma sistêmica entre todos os seus principais líderes e pessoas coligadas. Por exemplo, neste plano devem ser trabalhados o fundador, o sucessor, as equipes que atuam com eles, os líderes das áreas coligadas e por aí vai. Todos os que possuem contato direto com estas duas peças deverão passar pela transição de bastão. Igualmente importante, é que este processo afetará diretamente a cultura organizacional, que também deverá receber atenção para