O executivo, os funcionários da fábrica e o menino são pessoas que utilizam seus conhecimentos e habilidades para a prática de ações que visam o bem comum e inspiram pessoas. Eles representam o que Hunter (2006), entende como “liderança servidora”, que fala do amor como ato de se dispor a serviço do outro, identificando e atendendo suas reais necessidades. A competência do líder nesse processo é fundamental, porque seu papel é de facilitador que trabalha seus liderados, tornando-se um porto seguro fundamental para atingir os objetivos (Kouzes, & Posner, 2009). O ponto de intersecção entre os temas em tela é justo este: o verdadeiro líder é alguém com alto quociente de inteligência espiritual (QS). Da mesma forma, ter ou desenvolver a inteligência espiritual é condição sine qua non para o pleno exercício da liderança servidora. É como tentar responder a questão “do ovo e da galinha”.
Desse modo, podemos deduzir que o baixo QS é a verdadeira causa da crise de sustentabilidade que atravessamos. Em entrevista à Revista Exame, Danah Zohar (2001), física e filósofa americana, autora do livro “QS – Inteligência Espiritual”, afirma que as atitudes e práticas atuais, centradas apenas em dinheiro, estão devastando o meio ambiente, consumindo recursos finitos, criando desigualdade global, conduzindo a uma crise de liderança nas empresas e destruindo a saúde e o moral das pessoas que trabalham ou cujas vidas são afetadas por elas.
Vale lembrar que nossas atitudes refletem quem somos em nossa essência. E, afinal, qual é a nossa essência? Quem somos perante a crise do abastecimento d’água, o desmatamento, a miséria, a corrupção e tantas outras mazelas que afligem a sociedade? Indignamo-nos, protesta-mos, reclamamos? Mas, efetivamente, o que estamos fazendo para mudar esse estado de coisas? Estamos agregando valor à empresa ou à comunidade? Estamos fazendo a diferença na sociedade? Estamos agindo como pessoas espiritualmente inteligentes? Estamos atuando como verdadeiros líderes?
Há cursos de liderança repletos de pessoas vazias porque insistimos em buscar fora as respostas que só podem ser encontradas dentro de nós. Está na hora de aprendermos a servir. É grátis! E não requer experiência anterior para praticar: podemos exercitar em nossa própria casa, vizinhança, escola, empresa etc. O mundo carece de pessoas com atitudes altruístas e inspiradoras. Sejamos estas pessoas. Tornemo-nos espiritualmente inteligentes. Tornemo-nos líderes servidores.
ANDREA GUERREIRO DE SOUZA. Graduada em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Universidade Católica de Pelotas. Possui especialização em Gestão de Marketing e Gestão de Projetos, pela ESPM. Formação em Coaching Executivo Organizacional certificado pela Leading. Professora de MBA em Gestão de Pessoas com Ênfase em Coaching, MBA em Gestão de Projetos e MBA em Gestão Estratégica de Negócios e Marketing, no Instituto Educacional do Rio Grande do Sul.
Não basta um líder ser um gênio se não souber reconhecer e gerenciar as suas próprias emoções
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