REVISTA LÍDER COACH MARÇO DE 2015 # 3 | Page 15

DEUSA KANNON

Gênero é um assunto que diz respeito ao conjunto das relações sociais. Por isso, pensar “gênero” significa pensar de forma mais ampla o mundo do trabalho, da família, da política, da religião, da cultura e, naturalmente, do meio ambiente.

Uma análise a partir da perspectiva de gênero não descreve apenas as diferenças entre os papéis de homens e mulheres. Ela aponta que os papéis são socialmente construídos, ou melhor, são “moldados” pela sociedade ao longo da história. Assim sendo, tais papéis podem ser modificados conforme o tempo, espaço e circunstâncias.

Vários são os exemplos de mudanças de papéis da mulher na atualidade: liderança feminina em grandes empresas ou grandes contribuições em áreas de predomínio masculino, a exemplo das ciências e política. Contudo, as mudanças de papéis por si só parecem-me insuficientes. É necessária uma mudança de mentalidade. Tenho percebido que a consciência destes tais “moldes” arraigados no imaginário de nossos chefes e subalternos (ou mesmo em nós próprias mulheres) aliada a muita dose de paciência, sabedoria e ação podem ser de utilidade crucial para nos livrar das armadilhas do cotidiano - muitas vezes preconceituoso e cruel.

É praticamente insano pensar que até meados do século passado, as mulheres brasileiras não tinham direito ao voto. Hoje, até presidente mulher, os brasileiros têm (durante dois mandatos...). Ou seja, mudaram as circunstâncias históricas. Se no passado, era reservada à mulher uma posição exclusivamente subalterna, hoje a realidade é outra. Necessitamos portanto - homens e mulheres - nos adaptar a novas realidades com vistas a harmonia do todo; do mundo presente.

Tecer novas relações de gênero e fortalecer nossa identidade como seres humanos – de natureza complementar e não oposta – pode ser uma alternativa possível para uma sociedade cada vez mais complexa e urgente de transformação verdadeiramente civilizatória em larga escala.

Andréa Tomita

É doutora em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenadora do curso de graduação de Teologia da Faculdade Messiânica, ministra religiosa e professora de Ikebana Sangetsu.

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