REVISTA LÍDER COACH JUNHO DE 2015 # 6 | Página 5

REVISTA LIDER COACH | Junho | 05

Várias tecnologias experimentarão crescimento exponencial nas próximas décadas, tais como a computação molecular, nano-robótica, inteligência artificial, tradução do genoma, mapeamento do cérebro, impressão 3D etc. Novos paradigmas assumirão seu papel em velocidade nunca vista.

Ok, as tecnologias avançam muito rápido, mas ...

O que seremos capazes de fazer com tanta disponibilidade tecnológica em tempos exponenciais? E como lidaremos com a dimensão humana neste mundo de possibilidades? Vejamos a seguir alguns dados que nos chamam a ação.

Com toda a oferta tecnológica e as incríveis possibilidades, nós, enquanto sociedade humana, estamos consumindo 150% dos recursos naturais essenciais que o planeta pode regenerar e vivemos em um sistema de concentração de riqueza em que as 85 pessoas mais ricas do mundo detém a mesma quantidade de riqueza monetária que a metade mais pobre da humanidade, isto é, mais de 3,5 bilhões de pessoas.

O crescimento populacional seguiu uma curva exponencial. O planeta Terra viu acumular o primeiro bilhão de pessoas por volta do ano 1800. O segundo bilhão foi observado em 1930, o terceiro viria 30 anos mais tarde (1960), o quarto em 15 anos (1975), o quinto e o sexto em 12 anos cada (1987 e 1999) e o sétimo em 13 anos (2012). Estima-se que o oitavo bilhão chegue em 16 anos (2028) e o nono em 26 anos (2054).

As mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global que é resultado da atividade humana, as mortes prematuras relacionadas a doenças causadas pela poluição dos veículos, a enorme quantidade de gente no mundo vivendo abaixo da linha da pobreza (US$2,00/dia) e da miséria (US$1,30/dia), o aumento avassalador das doenças psíquicas como exaustão, depressão, consumo de drogas e suicídio.

Estamos vivendo tempos de ruptura que desafiam os paradigmas atuais.

Otto Scharmer, Economista e professor do MIT Massachusetts Institute of Tecnology e proponente da Teoria U (veremos logo adiante), nos convida para uma reflexão com a seguinte pergunta: Por que estamos produzindo coletivamente resultado que ninguém quer?

A resposta que Otto Scharmer traz a estes desafios pode ser resumida em uma poderosa ideia central: transformar os atuais sistema econômicos EGO-cêntricos para novos sistemas ECO-cêntricos. Nos sistemas egocêntricos que prevaleceram no Ocidente, busca-se maximizar os benefícios pessoais, respeitando, na melhor hipótese, um certo conjunto de regras éticas e morais de uma dada sociedade. Na nova proposta de sistemas eco-cêntricos, busca-se atender as necessidades pessoais, do outro e do todo “ao mesmo tempo”.

Pode parecer difícil pensar nestes termos, quando toda nossa formação intelectual, social, ética e moral foi construída com base no paradigma da escassez. E os sistemas econômicos pós revolução industrial foram desenvolvidos para maximizar o benefício de recursos escassos. Mas basta ver os novos fenômenos da internet para ter um vislumbre do que será possível na economia da abundância. Movimentos como Wikipédia e Avaaz e empresas como Google, Facebook, Tweeter, etc. se tornaram gigantes em tão pouco tempo, com base no paradigma da abundância.

Imagine quanta matéria e energia da Natureza era necessária para produzir uma enciclopédia em papel, com a explicação de alguns poucos especialistas que detinham o monopólio do conhecimento. E todo esse material era consultado muito poucas vezes por pouquíssimas pessoas de uma família. Compare isso com a Wikipédia, feita por milhares de pessoas e acessada por bilhões de vezes, utilizando quantidades que são ordens de grandeza menores de materiais e energia. Isso é abundância, que se tornou possível depois do advento da Internet. Se quiser se divertir com esta ideia, consulte fenômenos como Airbnb, Uber, Waze, Pinterest, para citar somente alguns.