Otto Scharmer construiu um conjunto de conhecimentos e práticas para que grupos de pessoas encontrem o caminho para se conectar com o seu melhor Eu interior nos processos de decisão, tanto no nível pessoal quanto dos negócios e da sociedade como um todo. Por meio de uma jornada de ações que visa abrir a mente, o coração e a vontade, as pessoas e grupos são convidados a experimentar esta conexão consigo mesmas, com o outro e com o todo. Neste estado de consciência e sensibilidade ampliadas, é possível “ouvir” e “ver” dentro de si mesmas o futuro que está prestes a emergir e operar a partir desse lugar interior, colocando sua energia alinhada com sua intenção para materializar este futuro coletivo melhor.
A jornada do U é um convite ao coletivo social que se propõe a realizar algo em benefício do todo. Pode ser aplicada ao desafio de um departamento ou de uma organização inteira, ou ainda a uma oportunidade em qualquer grupo social, bem como para grandes questões que envolvem um ministério ou o governo todo de um país.
Um dos tópicos relevantes na jornada do U é a abertura da escuta. Exercícios simples nos permitem perceber os quatro níveis da escuta indicados por Otto: no primeiro nível a escuta a partir dos hábitos de prejulgamento, em que só se confirmam as opiniões e julgamentos antigos. No segundo nível a escuta de fora, em que se percebe diferenças em relação ao que já é conhecido, mas procura-se refutar o novo. No terceiro nível a escuta de dentro ou empática, em que se estabelece uma conexão emocional e se procura ver pelos olhos do outro. E no quarto nível a escuta da Fonte ou generativa, em que há uma mudança na identidade pessoal, eu e o todo se integram para ouvir o que está emergindo do futuro coletivo e tomar consciência do novo que se apresenta. De forma semelhante a Teoria U coloca os quatro níveis de consciência da conversa.
Um ponto relevante da proposta de Otto Scharmer, que a meu ver a diferencia de tantas outras abordagens de transformação pessoal, é que na Teoria U a transformação se dá no indivíduo quando conectado ao coletivo, operando para entregar algo melhor a todo o grupo social e não somente a si mesmo. O que move a energia do grupo é o desejo de algo melhor para o grupo todo, e para isso cada pessoa acabará atingindo algo melhor também para si mesma. Esta perspectiva me parece bem familiar a todos que são pais e mães, em que prevalece o amor incondicional. A vinda dos filhos nos convida a abrir mão de nós mesmos em favor da criança, mais intensamente nos primeiros anos de vida. Esse entregar-se ao outro, não só desejando mas realmente operando para oferecer o melhor possível ao novo ser humano, traz aos pais possibilidades infinitas de serem, eles mesmos, melhores do que eram antes. Daí a graça de dar à luz um novo ser!
Assim, a Teoria U nos convida a assumir coletivamente um propósito e nos aplicarmos a ele, vivendo intensamente o presente (momento atual) como um presente (prêmio) na construção do futuro em direção ao propósito, buscando na Fonte interior aquela condição que é a melhor versão futura de nós mesmos.
Cada pequena realização coletiva neste processo do U nos preenche de alegria e autoconfiança para a próxima jornada. Não seria esta uma experiência humana que habita nosso íntimo e acessa nossas emoções mais ancestrais?
Bem vindo de volta ao que era bom do passado, com o uso pleno das tecnologias atuais e futuras!
REVISTA LIDER COACH | Junho | 06