Hoje é tão comum a cobrança por resultados nas empresas que ao menor desvio da meta por qualquer que seja a razão, cria-se uma grande turbulência onde equipes inteiras se desesperam e, antes mesmo de tentarem buscar uma solução, acabam quase sempre tomando o caminho das justificativas e das acusações, onde sempre é mais fácil encontrar um culpado do que resolver o problema.
Foi em um desses cenários onde encontrei um grande desafio. Como quase toda área produtiva de uma empresa não é difícil encontrar fatores oriundos de diferentes áreas que acabam contribuindo para o atraso da produção.
Como sempre as empresas possuem mão de obra bem reduzida, nas mais diferentes áreas e, no afã do dia a dia, com novos problemas surgindo e o tempo diminuindo, o estresse torna-se o companheiro indesejado desses percalços que impactam a todos, inclusive as metas.
Imaginem um cenário onde, além dos problemas comuns de produção, ainda sejam encontrados problemas diretamente relacionados às áreas de apoio como: Setor técnico, Manutenção, Qualidade etc. Pois é, mesmo com os sistemas e ferramentas para controle e resolução, a turbulência gerada para atingir esses resultados a qualquer custo faz com que até mesmo os problemas mais fáceis, acabem se transformando em grandes conflitos devido à cultura criada por essa pressão.
Como todo líder, eu tinha que acompanhar os resultados e levantar as causas nas células produtivas onde as metas não foram alcançadas e lançá-las no sistema, para o devido acompanhamento como parte do processo de melhoria contínua. Imaginem a minha surpresa que sempre na reunião do dia seguinte, se perdia mais tempo com justificativas em encontrar o culpado pelas insuficiências. Porque as áreas de apoio também faziam seus apontamentos no sistema e, é claro que, cada um justificava à sua maneira dando a entender que a culpa sempre era do outro.
Foi nesse cenário de dissabores que resolvi utilizar a fórmula mais antiga para o sucesso, “o trabalho em equipe” e usar a energia que as outras áreas estavam utilizando em um constante conflito, revertendo para propostas de soluções. Área por área e colaborador por colaborador, fui humildemente perguntando o que estava de errado em meu setor e colocando-me à disposição de todos para resolver as causas da nossa improdutividade em pontos específicos. Sugeri que, ao findar o turno, nós da produção e das áreas de apoio, nos reuníssemos para avaliarmos quais foram os principais problemas e suas possíveis causas.
Assim a primeira barreira da comunicação foi vencida. Não foi fácil, pois nesse momento os problemas de minha área eram evidenciados por todos e foi assim por algumas semanas. Isso já era esperado, porém minha segunda estratégia logo tomou corpo, porque alguns desvios de metas foram sendo sanados, ou seja, eliminando da lista das outras áreas o argumento de que a Produção gerara o problema.
Como já dito por Paracelso – Médico e físico do séc. XVI - “A diferença entre um remédio e um veneno está somente na dosagem”. Como já sabemos que uma semente não se transforma em uma árvore do dia para a noite, eu enfrentava agora a troca de farpas entre as áreas de apoio, que ainda não haviam abraçado a ideia, mas não poderia forçá-los para que o remédio não se tornasse no próprio veneno e voltarmos à estaca zero.
A TURBULÊNCIA PARA GERAR RESULTADOS
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