COLABORAÇÃO
COMO FERRAMENTA
PARA SAÚDE EMOCIONAL
Competir, empreender, produzir, lutar, matar um leão por dia, inovar, ser único, especial, estar no centro, é o dia a dia no campo dos negócios. Mas também é comum discutirmos nossas dores da alma quando a solidão, o isolamento, a competi-ção, as críticas e a concorrência aparecem.
A colaboração pode ser o remédio para nossos males da alma no contexto das organizações, da família, dos grupos e da comunidade. Nos grupos informais é mais tranquilo, porém, nas organizações essa ideia nos remete a maiores desafios, não só conceitual e filosófico, mas também comportamental e estratégico, posto que a ideia de colaboração traz em si novos valores e atitudes, exige aproximações, tolerância, paciência, diversidade e uma certa dose de generosidade – artigo tão escasso nas empresas.
Não fomos formados para a colaboração, pois nossa cultura reserva espaço para uma reflexão sobre quem é o homem. Somos formados para um mundo em que depender é humilhante, constrangedor e ineficaz. Ora, a eficácia da vida está nas relações.
O ser humano é uma espécie que morreria se vivesse suas “verdades”, dentre elas a ideia de que não dependo de ninguém! Vivo segundo minhas escolhas e verdades. Ora, o homem é por natureza incompleto, dependente, inacabado e biologicamente vinculado ao outro ser humano e à natureza que o circunda. Sem um apego organizado, sem o olhar da mãe, sem o acolhimento da família, morreríamos.
Nós nos construímos na intersubjetividade, no movimento dialético entre o eu e o nós. Moreno, criador do psicodrama afirma magistralmente que adoecemos nas relações e são as relações que nos curam. Edgar Morrim nos fala dessa interdependência de forma ainda mais contundente: o mundo é um coletivo de coisas de pessoas.
Trazer a ideia de colaboração como estratégia de saúde emocional nos remete à concepção de uma nova ética. A “ética das relações”, que chamei num outro artigo, em 1999 de a “ética do cuidado”. Falamos de uma ética que nasce da percepção da incompletude, da incerteza, da incapacidade humana – individual e organizacional. Daí cuidar de si, do outro e do ambiente, onde a sustentabilidade organizacional diz respeito à viabilidade econômica, ao cuidado com a ecologia, à diversidade, à responsabilidade social, e também a uma capacidade – cultura organizacional – em promover e proteger uma certa porosidade entre as pessoas, entre setores e departamentos, e da organização com seu entorno.
Colaboração e trabalho em equipe permitem atingir determinados objetivos e pressupõe diversidade de inteligência, idade, conhecimen-to, personalidade, experiências e história na organização e cujas vantagens são inegáveis; porém, a colaboração é algo mais fluida, traz em si a ideia de troca, de ir em direção, diz respeito a uma nova atitude de tolerância, de menos crítica, de mais audição, da entrega livre e ao mesmo tempo comprometida.
A colaboração é um indicador de inteligência social. As habilidades técnicas e cognitivas nos fazem ser contratados, mas, a permanência depende da sua inteligência social, onde a colaboração traz resultados pessoais e organizacionais. Hoje se dá muita ênfase nas relações. A própria guerra por talentos, define uma nova atitude, principalmente a busca da cooperação e da colaboração.
Alfredo Barbetta
REVISTA LIDER COACH | Abril | 24