Criar um clima propício à colaboração seja no encontro face a face ou por meio de alguma ferramenta tecnológica – blogs, sites ou softwares – terminantemente não é fácil, pois pressupõe mudanças nas crenças e valores individuais e coletivos. Se imaginarmos que as empresas além de bens e serviços produzem ideias e valores, esse será um desafio fantástico para gestores que já perceberam que o sucesso organizacional depende, em grande parte, do sucesso de cada colaborador e concorre fortemente à cultura organizacional.
A Implementação de estratégias de colaboração e promoção de uma cultura de troca e de coresponsabilidade guardam muitos desafios. Colaborar exige tempo, traz riscos para os participantes, exige que lidemos com objetivos conflitantes.
Espera-se que a ética da colaboração traga ganhos de competitividade, competências organizacionais para lidar com a diversidade, a descoberta de novos talentos; atraia novas gerações sedentas em partilhar e adquirir conhecimentos, potencialize a criatividade e a capacidade de inovação, o aumento da flexibilidade no modelo de gestão e maior capacidade na resolução de problemas.
Nas empresas as pessoas buscam não só o retorno financeiro, mas, o poder, relações, realização pessoal, convivência e uma nova e edificante experiência que traga sentido à vida. Colaboração pode ser o nome contemporâneo da participação, o meio pelo qual cada um se percebe pertencendo a um grupo, acolhido na sua individualidade, valorizado, e, com isso, sentir-se mais engajado, mais valorizado, mais pleno!
A colaboração pressupõe
• Comprometimento pessoal, mudança de atitude, superação de valores, pois a colaboração exige envolvimento emocional. Você colabora por que você decidiu colaborar, você se coloca inteiro no processo, você participa;
• Demonstração de respeito e reconhecimento às competências, conhecimento técnico e experiência do outro;
• Possuir as habilidades necessárias para criatividade e permissão para buscar soluções inovadoras;
• Mudança de valores e atitudes.
Na perspectiva da organização algumas questões devem ser observadas:
• A colaboração é uma cultura que se viabiliza em comportamentos e ferramentas adequadas, mas, não necessariamente presenciais;
• O custo da colaboração poderá ser alto. As oportunidades de colaboração não podem se resumir a apenas uma troca de ideias, bate papo, encontro de amigos. Deve ser uma política organizacional com resultados esperados, mecanismos para sua implementação, responsabilidades e prazos. E neste processo a atitude colaborativa pode se transformar em projetos a serem implementados por equipes;
• Atentar-se para o tempo, posto que a colaboração é um processo participativo, baseado nas trocas pessoais, na co-responsabilidade, há de se cuidar para não se caia no assembleísmo e nas longíssimas e intermináveis discussões que terminam por não gerar nada ou produzir um excesso de colaboração que não se aplica a nada e gera maior lentidão nas decisões e poucos resultados.
REVISTA LIDER COACH | Abril | 25
Alfredo Barbetta
Personal & Professional Coach pela SBC. Psicólogo. Mestre Psicoterapeuta. Especialista em Trauma Emocional. Prof. Universitário em Comportamento Organizacional e Desenvolvimento Gerencial. Estudioso sobre liderança e sustentabilidade, a relação entre trauma emocional e atitudes de chefia.