REVISTA LÍDER COACH ABRIL DE 2015 # 4 | Page 12

Inglês é realmente necessário?

Habitualmente sou perguntada “quanto” inglês uma pessoa precisa, e uma vez perguntada, me sinto na obrigação de lhe dar uma resposta sincera.

E minha resposta começa por: “depende”. Depende do que faz para ganhar o seu pão de cada dia; depende de quais ferramentas que acha que precisa ou que necessita para se desenvolver como profissional; depende do que faz nas suas horas vagas; depende do que faz como diversão (quase falei “hobby”); depende por onde viaja a negócios ou por lazer; depende

de quanto tempo tem disponível, enfim, depende de muitas coisas.

Neste artigo, gostaria de me ater tão somente ao inglês para uso profissional. Vamos começar

pelas razões mais práticas e básicas: o emprego. Consta em muito anúncio de vaga de emprego no Brasil: “inglês proficiente”, ou “inglês profissional”, ou ainda, “inglês fluente”.

Raramente vejo um anúncio de vaga que quer apenas um inglês básico, e mais raro ainda é um

anúncio de vaga que não quer nenhuma segunda língua, de nenhum nível.

Agora, se você só lida com brasileiros, num negócio estritamente local, sem previsão de jamais ultrapassar as fronteiras nacionais e também não lida com estrangeiros dentro dessas fronteiras; se o bem ou serviço com que você trabalha pode ter seu estudo, pesquisa, e mercado desenvolvido apenas no Brasil e para brasileiros; para você, aprender ou não uma

segunda língua será apenas para seu desenvolvimento pessoal e prazer.

Hoje em dia, essas condições de trabalho não são tão comuns quanto imagina, até no caso de profissional liberal ou autônomo. Pensa no médico que tem seu consultório particular. A maioria dos livros e revistas médicos, inclusive os disponíveis pela internet, são em inglês. Este

médico não precisa necessariamente falar bem o inglês, ele precisa sim, entendê-la na sua forma escrita, numa área especializada. E, se eventualmente esse médico tiver um paciente ou outro que não fale português e tiver que falar num evento internacional, ele sempre poderá buscar um intérprete especializado para resolver seu problema - então seu estudo do inglês tenderá a se restringir às suas necessi-dades de leitura e escrita.

Entretanto, não conheço nenhuma empresa multinacional (estrangeira ou brasileira) ou empresa nacional que busca ou pretende abrir mercados no exterior para seus bens ou serviços, que requer, especialmente daqueles funcionários que relacionam com estrangeiros tanto na própria empresa, quanto no exterior, uma fluência em inglês inferior a proficiente.

Esses funcionários precisarão desenvolver tanto a sua capacidade de compreensão oral e escrito quanto a sua capacidade de se expressar por escrito e oralmente.

Ann Birosel

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