Há algum tempo que as empresas buscam um funcionário já formado, treinado, pronto para executar suas funções; e justamente por não se aplicar mais àquele modelito ‘emprego até a cova’, as empresas tendem a investir um mínimo nos seus empregados, simplesmente por não haver retorno justificável no investimento que pode ser de curto ou médio prazo. Quando o candidato é ‘perfeito’ salvo pela questão do inglês, é comum a condição de se tornar mais proficiente na língua ser imposta na própria contratação.
Entender o inglês falado e escrito, e poder se comunicar num nível profissional, nestes casos, não é um luxo, é uma necessidade básica para poder desempenhar suas funções, tais como: participar de reuniões, negociar, assistir e fazer apresentações, preparar e analisar documentos e propostas, relatórios, contratos, pareceres, representar a empresa em feiras e eventos, e mais uma infinidade de funções e tarefas específicas a cada área. Enfim, sua necessidade de compreender e ser compreendido em inglês é tão necessária quanto à a sua própria educação formal para exercer a sua profissão naquela função.
Infelizmente, na minha experiência de mais de trinta anos em multinacionais brasileiras e estrangeiras já vi muita, mais muita gente deixar de progredir, ter seu trabalho menosprezado, ou não receber as tarefas mais cobiçadas porque seu comando da língua inglesa era insuficiente; seu sotaque em inglês era demasiado carregado, ao ponto de dificultar o seu entendimento, ou seu inglês escrito era do nível de uma criança de dez anos. Eram engenheiros, contadores, advogados, marqueteiros, vendedores, negociadores, todos altamente capacitados nas suas respectivas áreas, mas cujo comando da língua inglesa era muito aquém do desejável.
No caso daquele profissional que precisa do inglês profissional e tem apenas um inglês básico ou é “mais ou menos” proficiente, armou-se uma situação que pode lhe custar desenvolvimento técnico, uma promoção ou até um emprego. E esta situação é perfeitamente sanável
Você conseguiu aprender uma língua tecnicamente mais difícil que é o português; você consegue aprender uma segunda mais simples nas suas regras embora mais variada nas suas origens. Você não nasceu sabendo falar, ler e escrever em português; você levou anos para aprender, praticando constantemente, inclusive inconscientemente. Agora, você precisa melhorar o seu inglês como se sua carreira dependesse disso, pois pode estar mesmo dependendo disto. E, não será num curso vapt-vupt de conversação que vai resolver a questão - uma viagem de compras num país anglófilo não é o seu objetivo primordial. Só se aprende a falar falando, só se aprende a ler lendo, e só se aprende a escrever escrevendo, e tudo isso só se consegue tentando, falhando e tentando novamente, até conseguir.
O estudo de uma língua para uso profissional não tem como ser realizado em poucos meses, nem mesmo em poucos anos. Não termina no final do curso, nem se encerra com um diploma. Inglês como uma segunda língua é uma ferramenta que precisa ser afiada constantemente enquanto o profissional estiver em atividade. Seu estudo pode e deve ser dirigido com objetivos claros e metas realistas até o ponto de se tornar um verdadeiro profissional bilíngue.
REVISTA LIDER COACH | Abril | 13
Ann Birosel
Americana com 37 anos de Brasil. Advogada com mais de 20 anos em gerência de área jurídica e compliance de empresas multinacionais, especializando em direito empresarial e contratual. Revisora e tradutora de artigos das áreas jurídica e financeira. Professora de inglês para estrangeiros. Aulas particulares de literatura inglesa e americana e linguagem jurídica.
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