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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
seus pés tocaram a rocha. Alguns segundos depois, a barbatana afundou para
dentro d’água e sumiu de vista.
Samanta arfava. Daniela olhava para a costa, surpreendentemente longe.
Como é que as três foram parar ali?
- Aquilo era um tubarão? – Samanta perguntou. Tremia de medo e
cansaço.
- Não me importo com o que era. – Camila respondeu. Olhava assustada
para a água – Só sei que era grande, tinha dentes e nadava atrás de nós. –
Virou-se para Daniela – Alguma ideia do que fazer agora?
- Bom... Acho que vejo uma praia lá, - Daniela apontou para o que parecia
uma faixa de areia – Mas é longe pra caramba. E tem mais. – Apontou para a
água. Entre a praia e a rocha, nadava a barbatana – junto com outras três.
- Ah, ótimo! – Camila resmungou – E agora? Ficamos aqui até alguém nos
ver?
- Nem adianta. Viajamos para cá justamente porque é um canto quieto,
esqueceu? Vai demorar dias até alguém aparecer.
- Então... É nadar e torcer para não ser comida, não? – Camila suspirou –
Está bem. Eu vou. Posso nadar até a praia, depois de lá ir até algum lugar e pedir
ajuda.
- Não, eu vou. Eu que fiquei perto do precipício, eu que assumo o risco.
- Eu que assumo o risco... – Camila imitou com desprezo - Estamos falando
de coisas que podem arrancar pedaço teu! Não venha com essa de “é tudo culpa
minha”, não vou aceitar!
- Então vamos juntas. Nado tão bem quanto você, e com duas de nós há
mais chance de uma chegar lá.
- Eu vou junto. – Samanta disse.
- Não. – Daniela retrucou – Não tem como você nadar no nosso ritmo. É
melhor ficar aqui até conseguirmos ajuda.
- Mas... – Daniela apontou o indicador para Samanta, mostrando que não
queria discussão. Samanta ficou quieta, embora preocupada.
- Vamos. – Daniela disse para Camila. Juntas, pularam na água e nadaram,
deixando a amiga para trás.
Mal começaram a dar braçadas, as quatro barbatanas se voltaram para
elas.
- Vá para lá! – Gritou Camila, fazendo gestos com a mão para Daniela se
afastar. Esta, obediente, separou-se de sua amiga.
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