Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 49

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 As duas agora nadavam paralelamente, com vários metros as separando, em direção à praia. A ideia era fazer com que as barbatanas dividissem-se para caçar as duas. Não havia muita lógica por trás disso além de certo senso de justiça entre elas. As quatro barbatanas, porém, voltaram-se para Camila. Podia-se entende- las: Camila era mais alta e musculosa – logo, mais carne. Ao ver as barbatanas nadando em sua direção, a garota controlou-se para não entrar em pânico: Continuou nadando o mais rápido que conseguia, tentando desviar dos predadores. Mas não adiantava: Estes apenas mudavam de direção, e eram mais rápidos que ela. Daniela, vendo aquilo, nadou para tentar ajudar, mas quando chegou perto já era tarde: Camila estava cercada pelas barbatanas, cujos dentes lhe rasgavam o corpo. Daniela perdeu o controle. Meteu-se entre as barbatanas, e começou a dar socos em seus corpos, arranhá-los, até mesmo mordê-los. Os animais, sendo criaturas que agem por instinto, perceberam que aquela presa não valia a pena, e foram embora, deixando o corpo ensanguentado de Camila para trás. - Vá na frente... – Camila conseguiu ainda dizer para Daniela – Eu consigo te seguir... – Daniela não queria abandoná-la, mas acabou cumprindo a ordem, afastando-se, sabendo que Camila não a seguiria. Estava a poucos metros da praia, pensando em Camila morta e Samanta abandonada na rocha, quando sentiu uma forte mordida na perna. Uma das barbatanas, mais faminta, decidiu voltar. Daniela chutou e socou a criatura, até por um acaso furar seus olhos com os dedos. A barbatana, com dor, largou-a e foi embora, deixando sua perna rasgada e inutilizável. A garota ainda fez um último esforço para alcançar a praia. Arrastou-se pela areia, incapaz de se levantar. Mas estava em terra firme. Poderia fazer uma tipoia, mancar até algum lugar e... - Você... – Falou, ofegante – Está... Brincando... Pouco além da areia, estava o paredão da costa. O que separava a ilha em que Daniela estava da terra firme era uma faixa de água, impossível de atravessar com uma perna. http s://www.facebook.com/david.ehrlich.52 44