LiteraLivre n º 8 – Mar / Abr de 2018
Barbatanas
David Ehrlich Curitiba / PR
Daniela não sabia como foi parar no meio do precipício. Em um instante, ela estava junto com suas amigas, olhando a vista para o mar lá de cima; no instante seguinte, sua mão, agarrada à rocha, era a única coisa que a impedia de cair.- Daniela! – Camila gritou do alto – Segure firme! Samanta apenas olhava enquanto Camila deitava na beira do precipício e esticava o braço. Não era por preguiça: Camila era alta, tinha braços longos e fazia academia, enquanto Samanta era magrinha.
- Só mais um pouquinho... – Camila se arrastou apenas dois centímetros para frente, para conseguir agarrar os dedos de sua amiga. Foi o suficiente para perder o equilíbrio e cair em cima de Daniela. Samanta até tentou segurar Camila pelas pernas, mas como era fraca demais, acabou sendo arrastada junto para baixo.
As três caíram ao mesmo tempo na água. Olharam em volta: A rocha na base do precipício era lisa demais. Não havia como escalarem de volta para cima. Teriam que nadar até alguma praia ou coisa parecida.
Começavam a nadar quando viram a enorme barbatana se projetando para fora da água.
As três nadaram furiosamente. Mas para onde? Onde poderiam escapar da barbatana? Daniela viu então uma pontinha escura brotando sobre a água. Parecia uma ilha. Nadou naquela direção. Camila e Samanta a seguiram. A barbatana também.
Daniela foi a primeira a alcançar a ilha, embora chamar aquilo assim era exagerado – era só uma ponta de rocha brotando para fora da água. Mas uma vez em cima dela, a barbatana não poderia pegá-las.
Camila chegou logo em seguida. Daniela a ajudou a subir. Olharam então para a terceira amiga, e entraram em desespero: Samanta nadava devagar, desajeitada, e a barbatana estava perigosamente perto dela.- Rápido, rápido! – Gritavam. Samanta conseguiu chegar perto o suficiente da rocha para esticar os braços e ser puxada para cima, exatamente no mesmo instante em que duas fileiras de dentes surgiam perto de suas pernas. Elas desapareceram assim que
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