LiteraLivre n º 8 – Mar / Abr de 2018
Lucas Santos de Oliveira
Ando Meio Bizarro
Niterói / RJ
Ando meio bizarro, puxo, tusso com meu trago Há dias trago comigo na boca o sabor do escarro. E a carruagem que sela meus 8 mil e tantos dias Traz alguns vinhos baratos e a carteira vazia. De dia e à noite encaro o tamanho do estrago. A cabeça aflita esquenta como motor de carro Empurrado na rampa sou como o fusca: pesado Aliás, minhas contas são de fato meu escárnio Pra muitos, só mais um com um jeito de viver hilário Otário, talvez, por desejar tudo de uma vez Queria deixar fluir o talento Sentir o cabelo ao vento … Mas sempre chega o fim do mês Agora também no início, sério, anda difícil. A vida é um prédio que a gente sobe de escada, cês sabem disso. Festa com comanda que cê não paga a entrada Edifício. Vide Dubai. De outro mundo mesmo é a insistência da família:“ E o diploma quando sai?” Pois é tia, pois é pai... Anda difícil, mas
uma hora vai Sigo rumo a um sonho quando o mundo tá no sentido contrário.
Na gaveta os textos combinamcom os monstros do armário Já fazem dias mas nem ligo pr’ esses seus calendários Quero mais dias livres e me aposentar, Queria isso antes dos 100 e uma casa na frente do mar Mas isso pra mim já nem rola. Já devo ser otimista e pensar que terminei a escola Na fio da navalha tive de me equilibrar Levantar mão pro céu apontando o dedo Pois se tô onde cheguei, meu trampo começou bem cedo Diariamente me entopem com cenas que me causam medo Os meus no meio fio, no frio Ou no meio da Babilônia estalando com os dedos.
Vagas aos montes, mas nos montes pra buscar Boatos que a calma de monge me leva até lá Eu busco na fonte tentando me encontrar...
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