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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Um Suspiro
Ícaro T. Silva
Lisboa - Portugal
As casas de pedra resguardam-se perante a neblina
Que esvoaça intensamente nas ruas, e me intimida.
A torre de uma igreja irrompe do clima tenebroso
E é visivo o sino, que quebra o silêncio cioso.
Doze badaladas faz soar, antes de eu mergulhar
Outra vez na imensidão de um véu, debaixo do luar.
A lua cheia sorri no ápice de um céu sem astros,
Enquanto o vento assobia ao acariciar as árvores
Que abraçam esta pobre aldeia, afundada em ignorância.
A obscuridade e a solidão acompanham a minha errância,
Após o apagar das luzes, oriundas de uma casa,
Fazer a paisagem nocturna imergir numa macabra.
Repentinamente, tudo o que é movimento, pára -
A minha respiração gelifica e suspende no ar,
O sangue paralisa no interior das minhas veias
E os meus pés unem-se à viela da pequena aldeia;
A minha pulsação estaca e o meu corpo torna-se frígido,
Enquanto um uivo ensurdecedor trespassa os meus ouvidos.
O uivo que me subjugou, perante a sua imensidão,
Não era o uivo de um ser comum - possuía tal perversão
Que terrificaria a mais horrífica besta de Hades,
E que exasperaria o mais devoto orador da paz;
A sua ressonância afligiria a mente mais sã
E extinguiria a chama da vela mais irradiante.
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