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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Foi esse uivo que, após arrancar a robustez do meu corpo,
Embrenhou, nas minhas artérias, o pânico e tremor.
A minha inércia cessa ao ouvir o mesmo uivo, outra vez,
Porém mais próximo, acentuando a minha palidez
E reanimando os meus pés, dormentes na ansiedade,
Que romperam pela escuridão numa fuga exaltada.
Escavo submerso no negrume. Nada mais avisto.
A fobia infindável adelgaça a minha alma e espírito,
E encolhe a minha existência neste ambiente soturno.
Está próximo. Posso ouvir o seu fôlego, seguro
De que, nesta ceia, irá se alimentar da minha carne.
No clímax desta obsessão, sou abalroado e finda a caça.
Por fim, observo horrorizado a face do meu assassino.
As suas feições sinistras provocam-me calafrios;
Nasce do seu pelo, negro como o céu que me assolava,
Garras ávidas por desfazer a minha pele fraca.
Fito os seus olhos, vermelhos como a paixão de uma vida,
E vejo um suspiro - o último que eu alguma vez daria.
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