Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 171

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 Foi esse uivo que, após arrancar a robustez do meu corpo, Embrenhou, nas minhas artérias, o pânico e tremor. A minha inércia cessa ao ouvir o mesmo uivo, outra vez, Porém mais próximo, acentuando a minha palidez E reanimando os meus pés, dormentes na ansiedade, Que romperam pela escuridão numa fuga exaltada. Escavo submerso no negrume. Nada mais avisto. A fobia infindável adelgaça a minha alma e espírito, E encolhe a minha existência neste ambiente soturno. Está próximo. Posso ouvir o seu fôlego, seguro De que, nesta ceia, irá se alimentar da minha carne. No clímax desta obsessão, sou abalroado e finda a caça. Por fim, observo horrorizado a face do meu assassino. As suas feições sinistras provocam-me calafrios; Nasce do seu pelo, negro como o céu que me assolava, Garras ávidas por desfazer a minha pele fraca. Fito os seus olhos, vermelhos como a paixão de uma vida, E vejo um suspiro - o último que eu alguma vez daria. 166