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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
ainda que "para sempre" seja tempo indeterminado. Seus olhinhos brilham. Será
o fim da vontade de encontrá-lo, pois a partir dessa hora ele estará perto em
todos os momentos. Será a certeza de que ele é só seu, porque você é só dele
desde a noite em que ainda não se conheciam.
A resposta demora. A resposta parece nem querer chegar. Você pensa nas
outras demoras, elas não doeram tanto. Pensa nas vezes em que os encontros
foram desmarcados e foram mais fáceis de digerir que o sumiço de agora. Pensa
demais até que ele aparece e diz: eu não posso ficar, não somos feitos para dar
certo. Encerra-se o clímax.
Você se encontra de um lado enxergando o outro: enquanto pensava só
nele, ele pensava no trabalho, nas outras mulheres, nos estudos, no que fazer
para jantar, por quantos dias a mais duraria o salário. Enquanto você imaginava
uma vida mais bonita, ele lutava para se acertar no presente que nunca quis. As
saídas, os encontros, os esbarrões faziam os dois felizes, mas a intensidade era
para um só, para você.
Então, nessa noite de um ano depois, no mesmo lugar, perdida quase do
mesmo jeito, procurando ar para respirar e virando as cervejas fiéis, você o
encontra. Ele ainda é a pessoa mais bonita do local, ainda tem a voz que mais
chama sua atenção e ainda diz coisas que te fazem rir. Mas não é nele que você
vai pensar quando voltar para casa e se deitar na cama. Você tem mais o que
fazer, tem alguns problemas, umas coisas da vida que não adianta adiar por
causa de amor.
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