Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 165

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 ainda que "para sempre" seja tempo indeterminado. Seus olhinhos brilham. Será o fim da vontade de encontrá-lo, pois a partir dessa hora ele estará perto em todos os momentos. Será a certeza de que ele é só seu, porque você é só dele desde a noite em que ainda não se conheciam. A resposta demora. A resposta parece nem querer chegar. Você pensa nas outras demoras, elas não doeram tanto. Pensa nas vezes em que os encontros foram desmarcados e foram mais fáceis de digerir que o sumiço de agora. Pensa demais até que ele aparece e diz: eu não posso ficar, não somos feitos para dar certo. Encerra-se o clímax. Você se encontra de um lado enxergando o outro: enquanto pensava só nele, ele pensava no trabalho, nas outras mulheres, nos estudos, no que fazer para jantar, por quantos dias a mais duraria o salário. Enquanto você imaginava uma vida mais bonita, ele lutava para se acertar no presente que nunca quis. As saídas, os encontros, os esbarrões faziam os dois felizes, mas a intensidade era para um só, para você. Então, nessa noite de um ano depois, no mesmo lugar, perdida quase do mesmo jeito, procurando ar para respirar e virando as cervejas fiéis, você o encontra. Ele ainda é a pessoa mais bonita do local, ainda tem a voz que mais chama sua atenção e ainda diz coisas que te fazem rir. Mas não é nele que você vai pensar quando voltar para casa e se deitar na cama. Você tem mais o que fazer, tem alguns problemas, umas coisas da vida que não adianta adiar por causa de amor. 160