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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Setembro 25
Flávia Urder
Campo Grande/MS
É só o começo da sua vida em um dia que está quase acabando e você o vê.
O cara na sua frente tem aparência que seu gosto estranho aprova e diz coisas
que só te provocam riso porque vêm dele. Mais tarde você vai para casa com um
pouco de álcool agindo por dentro, mas pensando na visão do lado de fora,
naquele moço que te roubou por uma madrugada inteira. Você vai deitar a
cabeça no travesseiro e cerveja nenhuma te fará dormir. A partir da noite sem
fim, as horas nunca mais passarão mais rápido, pois a vida acaba de desacelerar.
É seu primeiro amor, grande amor, sua primeira MPB, seu primeiro filme francês,
sua primeira comédia romântica de fim ainda indefinido. E, por destino ou peças
que você prega, ele entra na sua rotina e se torna não só a pessoa que inunda
suas semanas de ócio, mas seu plano de resolução da vida cansativa e tediosa
que leva desde sempre.
Você o encontra por acaso e se pega sorrindo sozinha no meio de uma
distração. Fica dois ou três dias sem vê-lo e sente um aperto no peito, uma
vontade de ligar, mandar mensagem, gritar o nome. Ele é o cara-dos-sonhos, das
noites em branco, o apelo que se repete na sua mente quando você vai lavar
louça, estudar para uma prova e conversar sobre amor com os amigos. Vinte e
quatro horas é pouco tempo para dois e tempo demais para um. Em algumas
noites, o moço vem te resgatar na sua casa, te leva para lugares melhores, te
apresenta histórias dele e constrói novas ao seu lado. Em algumas tardes, vocês
fogem para lugar nenhum, que ninguém pode encontrar, e são felizes por um
curto espaço de tempo. Nas manhãs, o seu motivo de dizer bom dia é finalmente
sincero. Ele é o único e o tanto de coisas sentidas nem cabe em um coração
novinho que quase não sentia nada antes, só batia.
Você toma uma decisão porque há dias já pensava em fazer algo. Você vai
ao topo de seu mundo, grita o nome dele e pede para que fique para sempre,
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