Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 164

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 Setembro 25 Flávia Urder Campo Grande/MS É só o começo da sua vida em um dia que está quase acabando e você o vê. O cara na sua frente tem aparência que seu gosto estranho aprova e diz coisas que só te provocam riso porque vêm dele. Mais tarde você vai para casa com um pouco de álcool agindo por dentro, mas pensando na visão do lado de fora, naquele moço que te roubou por uma madrugada inteira. Você vai deitar a cabeça no travesseiro e cerveja nenhuma te fará dormir. A partir da noite sem fim, as horas nunca mais passarão mais rápido, pois a vida acaba de desacelerar. É seu primeiro amor, grande amor, sua primeira MPB, seu primeiro filme francês, sua primeira comédia romântica de fim ainda indefinido. E, por destino ou peças que você prega, ele entra na sua rotina e se torna não só a pessoa que inunda suas semanas de ócio, mas seu plano de resolução da vida cansativa e tediosa que leva desde sempre. Você o encontra por acaso e se pega sorrindo sozinha no meio de uma distração. Fica dois ou três dias sem vê-lo e sente um aperto no peito, uma vontade de ligar, mandar mensagem, gritar o nome. Ele é o cara-dos-sonhos, das noites em branco, o apelo que se repete na sua mente quando você vai lavar louça, estudar para uma prova e conversar sobre amor com os amigos. Vinte e quatro horas é pouco tempo para dois e tempo demais para um. Em algumas noites, o moço vem te resgatar na sua casa, te leva para lugares melhores, te apresenta histórias dele e constrói novas ao seu lado. Em algumas tardes, vocês fogem para lugar nenhum, que ninguém pode encontrar, e são felizes por um curto espaço de tempo. Nas manhãs, o seu motivo de dizer bom dia é finalmente sincero. Ele é o único e o tanto de coisas sentidas nem cabe em um coração novinho que quase não sentia nada antes, só batia. Você toma uma decisão porque há dias já pensava em fazer algo. Você vai ao topo de seu mundo, grita o nome dele e pede para que fique para sempre, 159