Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 163
LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
fetiches que ela tinha. Foi uma delícia e quando eu estava voltando para dentro
de casa, um raio caiu. Agora eu só tinha mais quatro.
Morri pela quarta vez no Madison Square Garden durante um show de Simon &
Garfunkel. Um baita público por sinal, mas aparentemente sem nenhum médico.
Eles estavam tocando “The sound of silence”, a música predileta de Jéssica,
minha noiva, e uma das minhas canções prediletas também quando eu
simplesmente enfartei e morri. De novo!
Depois veio Fernanda e aqueles cachinhos, uma adorável tagarela que sonhava
descobrir onde Elvis estava escondido. A garota mais engraçada que já conheci.
Passamos a semana inteira indo a uma dessas redes de fastfood que estavam
dando bonequinhas cabeçudas. Fernanda queria todas as bonequinhas e então na
quinta-feira, depois de uma de suas muitas gracinhas que ao cair na gargalhada,
me engasguei e morri sufocado com a droga de um hambúrguer.
A sexta vida eu perdi depois de conhecer Rebecca, a bibliotecária da faculdade.
Uma mulher linda, inteligente e elegante. Uma das paixões mais arrebatadoras
que já senti. Mas ela não me quis e pela primeira vez, experimentei o pior de
todos os sentimentos humanos, a rejeição. Morri de tristeza.
Estou na sétima e última vida. Já conheci uma garota legal e acho que já estou
me apaixonando. É, eu sei, eu sei. Logo eu vou morrer pela última vez. Não
haverá outra vida, outra chance, outra oportunidade. Eu morrerei e será o fim de
uma vez por todas. Paciência!
Fico pensando nos gatos, será que eles se apaixonam por sete vezes? Se for esse
o caso, felizes são os gatos.
158