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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
Ceci não gostou. Então criou para si uma praia de sonho na qual poderia ir com a
família toda, formada por sua mãe, pai e também aqueles que estavam distantes
dela - avó, avô, tataravó, tias e tios, primos e primas, mas que povoavam seus
sonhos.
A menina deu à sua praia o nome de “Praia de Cara-Caramba”, que era linda e
era só dela.
A praia de Ceci tinha areias muito brancas e fofinhas como alvas penas de garças
em revoada, e as águas transparentes como as lágrimas que rolavam no seu
rostinho infantil, quando a saudade do seu povo apertava.
A menina passou a visitar a sua praia de sonho a qualquer momento e lá ela
reunia toda a família. Os presentes e os ausentes. Era só deixar o olhar visitar o
passado e trazer dele as mais queridas lembranças.
Na praia de Cara-Caramba ela brincava livremente na areia, pois o sol não era
tão forte, uma vez que a vegetação que circundava a praia era densa e de um
verde-escuro profundo. Ceci comia frutas frescas, também chupava seus picolés
preferidos, que ela aprendera a gostar na cidade. As pessoas partilhavam entre si
o alimento que traziam e, assim, todos comiam coisas gostosas, brincavam,
descansavam e ficavam satisfeitos.
Entre os amigos que Ceci encontrava na sua praia de sonho, estava o Saci com
uma perna só, a Cuca, a Yara com um verde olhar transparente, o Curupira,a
Matintaperera, e outros encantados, ao lado do Pinóquio com a Fada Azul, a Fada
do Dente, que ela conhecera recentemente. Ceci gostava deles, mas sentia que
eles não eram seus iguais.
A Yara, em uma grande concha, contava às crianças histórias do reino das águas.
Ela gostava muito de ser admirada. Já o Pinóquio queria que todos soubessem o
que aconteceu com ele na barriga da baleia. Mas quando ele contava a sua
história seu nariz crescia e ele ficava muito envergonhado. O Curupira e a
Matintaperera, contavam como desandavam e deixavam perdidos aqueles que
estavam devastando a mata ou matando os animais. Enfim, todos contavam
vantagens!
Em uma tarde luminosa, quando a menina estava muito envolvida em seus
folguedos na sua praia de sonho, ela viu ao longe um vulto. Sentiu-se atraída e
correu para ver de perto quem seria. Sentiu um forte palpitar no seu peito. Era
um índio idoso sentado à sombra de uma árvore. Ceci não sabia de onde ele
tinha saído. Pensou que fosse da floresta, mas depois percebeu que o velho índio
saíra-lhe do pensamento e do coração. A menina sentiu um forte desejo de ir até
lá com ele então, confiante, correu em sua direção. O índio tinha o olhar
misterioso e profundo como o de Ceci e um semblante sereno, como se fizesse
parte de tudo ali. Estava rodeado de outros curumins. Eram crianças tinham a
pele cor de terra molhada, olhos amendoados e cabelos muito lisos. Tinham o
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