Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 136

LiteraLivre n º 8 – Mar / Abr de 2018
rosto pintado e traziam consigo pequenos animais como macacos, jabutis, sapos, aves coloridas... Ceci perguntou ao índio: – Quem é você? Ao que o velho índio respondeu serenamente: – Sou seu parente distante... Gosto muito de contar histórias pra crianças... Era isso que eu fazia na aldeia... Você quer ouvir uma? Ceci chamou os amiguinhos da praia. Estes sentaram ao redor do velho índio que os encantou a todos com histórias de Cobra Grande, boto cor-de-rosa, botocinza, da Vitória Régia, do Uirapuru, a origem da noite e do dia... Ceci perguntou por que ele não sabia contar sobre os outros que estavam lá. O velho índio explicou: – Eles não são do nosso mundo Ceci, o mundo da floresta. São de outro mundo – o mundo da cidade. Não os conheço. Estão aqui porque a sua praia de Cara- Caramba é um lugar de encontro. Encontro da saudade e do sonho, encontro também de diferentes que querem se amorizar. Você é feliz por criar esse lugar que é desejado por muitos corações, mas só o seu coração de curumim é capaz de fazê-lo existir. Ceci acomodou-se à sombra da árvore e ali ouviu histórias do velho índio até dormir. Quando acordou, estava no pequeno quarto, onde morava com sua família na cidade grande. A sua praia de sonho tinha desaparecido, mas Ceci sabia que a ela estava no seu coração e que naquele sonho bonito ela não estava sozinha. Lá ela podia encontrar com aqueles a quem amava. Podia brincar, cantar, dançar, ouvir histórias e celebrar com eles.
FIM
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