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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
O Hiato da Vida
Monaliza Cristina Sousa
Teresina/PI
Logo após a sua fecundação, Delfino firmou impensadamente os termos de
uso da Vida. Decerto quando notou que passou a usar suas pernas, tortas,
fadigadas, cheias de varizes - para seguir rumos e abrir portas, ele já estava
fadado da Vida. Com certeza ele apostaria todos seus débitos para comprovar
que sua fé na Vida também abatida. Você mesmo, caro leitor. Então, Delfino
começou a questionar todas as suas crenças, os “mas” dos mares? A síntese
proteica de um vegetal apodrecido, e até mesmo como tudo fez com que
chegasse até aqui, e onde será o aqui? Porque nascemos, se tudo morre?
Pensou, pensou, pensou intensamente que teve que se dopar com mais uma
cartela de Dorflex. Delfino não conseguia entender o sentido da Vida. O que é
fracasso, o que é sucesso? Será que não subestimou o sucesso que todos
querem; não deveria ter feito como todo mundo faz, não deveria ter se
preocupado? Mas se ao mesmo tempo em que Delfino tivesse tudo, e não ter
desejado nada, quantos centavos a mais ou a menos, a Vida deixaria de fazer
sentido? Porém, é direita ou esquerda? E qual a lógica de tudo isto, afinal?
Delfino suicidou-se antes mesmo de encontrar as respostas.
Delfino foi só mais uma pessoa dessas que morre, e daí? Delfino não teve
culpa se a Vida não é para os interessantes, o hiato da vida é para os tristes.
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