Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 8ª edição | Page 109

LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018 -Amiga, ontem, na festa do George, após a sexta aula, você se revoltou por ele não lhe notar, bebeu como uma divorciada traída e dançou com todos os garotos da festa, menos com ele . -Por isso aquele aroma agridoce, logo pela manhã! – pensei alto, cabisbaixa. Era a mistura dos perfumes doces e azedos impregnados ao meu corpo. – Você não parava de beber, e, para que não fizesse besteira, a gente te arrastou, quase que amarrada, ao apartamento. Lá, tiramos teu uniforme e rebolamos no chão. Você dormiu como uma pedra. Um som estridente saiu da minha boca. Sim, da minha. Todos ao longe me olharam e Débora, agora a envergonhada, perguntou-me o que era aquilo. Nem respondi. Só sei que não podia realizar outra ação fora aquela. Rir foi o melhor que pude oferecer. Foi-se qualquer lembrança da noite anterior. Tudo soou muito estranho e me vi obrigada a rir. Lembrei-me de quando meu pai chegava bêbado, lá pelas tantas da madrugada e minha mãe, no outro dia, cobrando explicações, bufava ao ouvir ele dizer que de nada lembrava. Eu me irava também. “Como pode alguém subestimar a inteligência de outro de tal maneira?”, pensava. E continuava a rir. Ria da peça que o destino me pregava e das situações do dia seguinte ao outro que nem lembro que vivi. 104