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LiteraLivre nº 8 – Mar/Abr de 2018
uma vontade louca de retardar os passos, de deitar no colo da cabocla e ficar por
aqui mesmo, nessa casa com teto de sapé, nesse aconchego da relva verdinha,
no cheiro do mato molhado.
Mas a necessidade era outra.
Sempre havia uma necessidade que chamava, que era urgente, que me atirava
de novo na estrada.
As ruas se multiplicando.
O chão, o pó, a poeira.
A alma.
Tem medo de quê?
O andarilho só queria seguir. As perguntas não faziam parte do seu dia a dia. Era
só a estrada e a vida se oferecendo. Quem eu sou? O que vai ser amanhã? Como
fará dinheiro? Como constituirá família? Será feliz? Qual filme prenderá a sua
atenção na frente da televisão? Quem compreenderá a sua necessidade de ter o
mundo girando dentro de si?
Só o mundo.
E hoje estou aqui. Sentado, escrevendo uma história, tentando ser lido ou
tentando compreender.
Estamos aqui, eu e o andarilho, eu e parte do que fui um dia, o andarilho e parte
do que nunca se preparou para ser.
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