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LiteraLivre nº 4
gordas” como se diz, a comida era farta e a família podia se dar ao luxo de ter
até empregados.
Enquanto comia, o garoto lembrava-se das vezes em que tentara monta-
lo, ele saía grasnando e rebolando de asas abertas, das vezes em que estando
contrariado, sentara-se na escada da porta de entrada e Guido vinha se
aconchegando, sempre o abraçava, ele deixava-se abraçar, como se soubesse
de sua tristeza e quisesse confortá-lo.
- Filho, coma! Já está frio, assim não conseguirá terminar de comer e
não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar.
O garoto dá mais uma mordida, a garganta doí a cada engolida. A mãe o
observa, sabia o que Guido representava para toda a família, era a alegria dos
dois filhos.
Primeiro tivera uma menina, cinco anos depois, quando já não pensava
ter mais filhos ficou grávida, já se passara dez anos, contempla seu corajoso
homenzinho tentando alimentar-se do melhor amigo... Dias difíceis aqueles, a
guerra trouxe escassez de alimentos em toda parte, não há trabalho por perto
e o esposo teve que ir para longe em busca de sustento. Maria a mucama que
lhes servia, se recusara ir embora, não tinha para onde ir, fora autora do triste
ato em preparar a ave para o almoço, a dois dias não havia uma refeição
decente, comiam apenas um pequeno naco de pão sem fermento, preparado
com o resto de trigo da despensa.
- Mãe posso perguntar algo?
- Pode querido! O quer saber?
- O Guido sentiu muita dor?
- Cada vez que engulo, sinto como se ele estivesse sofrendo.
- Não filho, acho que ele não sentiu dor. Maria fez um serviço rápido e
penso que não tenha dado tempo para ele sentir nada. Agora ele deve estar no
céu dos bichos, nadando em um lago azul. Você come apenas a matéria que
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