Revista LiteraLivre Revista LiteraLivre 4ª edição | Seite 98

LiteraLivre nº 4 O Cisne Emarilaine Machado da Silva Betim/MG O pequeno ser olhava estupefato a cheirosa iguaria colocada a sua frente, seu estômago doía, mas, sua pequena mão não ousava obedecer ao comando da fome. - Vamos orar e agradecer a Deus o alimento. Dissera a mãe, e, meio que engasgada procedera o agradecimento seguida pelos demais. - Coma filho! - Não consigo Mamãe! - Precisa querido. Não há mais nada para comer e se não o fizer poderá ficar doente. Explica a mãe. Cabisbaixo o garoto maldizia a fome, apanha um pedaço de carne leva-o a boca. Enquanto mastigava, lágrimas escorriam pela face rosada, naquele instante jurava a si mesmo: Nunca mais comeria carne em sua vida... Dera-lhe o nome de Guido, seu pai o levou para casa juntamente com outros dois cisnezinhos, porém foi o único que sobreviveu, os outros haviam morrido a algum tempo, perseguidos pelo cão de caça dos vizinhos, desde então era a alegria de todos, sempre o acompanhava nas peraltices pelo quintal. Guido era desengonçado, chegou ainda pequeno, o pescoço comprido parecia desproporcional ao corpo curto e arredondado, aos poucos foi crescendo e mudando de cor, tornando-se a mais bela ave que já havia visto, possuía o porte de rei, gostava de exibir a beleza no pequeno lago para ele construído. Quando alguém se aproximava da entrada, estava sempre a postos, fazendo as vezes de cão de guarda, era uma barulheira só, todos sabiam que havia alguém aguardando no portão. Ainda era fase de “vacas 93